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mulheres marginalizadas

Nos entristecemos com notícias sobre mulheres em situação de risco social, desabrigadas, mutiladas, destituídas de direitos e marginalizadas.

Mas creio que poucos de nós acompanha de fato o que tem sido feito e, mais ainda, o que é preciso fazer para recriar ambientes sociais que transcendam esta realidade e, sobretudo, que cortem o ciclo vicioso que faz com que mães, filhas, avós, tias e netas caiam nas ruas.

Aqui no blog falamos deste tema desde antes da Lei Maria da Penha virar lei. Não sei mais contar quantos textos fiz, nos dez primeiros anos do @avidaquer, contando histórias e ressaltando a importância da divulgação das alternativas, além da acolhida e fortalecimento que nós, cidadãos, podemos dar aos movimentos ligados ao empoderamento feminino.

Você conhece as diretrizes nacionais para o abrigamento de mulheres em situação de risco e de violência?

Trata-se de um documento público com informações sobre as políticas atuais e nele podemos compreender melhor como o Estado tem planejado atuar para preservar as vidas das mulheres vítimas de violência, como estão usando os “nossos” recursos e como podemos nos envolver para ajudar a executar ou a melhorar os projetos.

Aprendi por lá, por exemplo, que o encaminhamento dos serviços da rede de atendimento nos casos de abrigamento de mulheres que precisam de apoio para sair do ambiente de violência, de maneira geral, tem sido realizado de diferentes formas em estados e municípios porque ainda não existe um fluxo único de abrigamento. Devido à ampliação da rede e do maior acesso das mulheres à rede, existe atualmente uma gama de serviços (juizados especializados, defensorias, serviços de saúde, CRAS, etc) que podem constituir portas de entrada para os serviços de abrigamento. A multiplicidade de serviços e a não-padronização do fluxo de atendimento podem vir a representar custos para as mulheres e para os serviços de abrigamento, já que parte desses encaminhamentos é incorreto.

Será que como eu vocês pensaram aí no quanto o pensamento de muitas mulheres executivas ajudaria a planejar melhor isso? Por que não criamos um grupo que pense sobre estas necessidades e contribua de forma multidisciplinar e voluntária para o empoderamento de mulheres, partindo destas, que estão entre as mais necessitadas?
mulheres em situaçao de risco social

(imagem da fanpage Brasileiríssimos)

Digo que são as mais marginalizadas porque elas geralmente estão também na linha da pobreza, da exploração (no trabalho, muitas vezes similar ao escravo), da marginalização.

Elas estão tão à margem da sociedade que nem as vemos.

🙁

Mas gente, nem tudo é reclamação. Comecei o post para contar que hoje inauguraram em Brasília a Casa da Mulher Brasileira, um espaço que promete serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres: acolhimento e triagem; apoio psicossocial; delegacia; Juizado; Ministério Público, Defensoria Pública. A casa fica na quadra 601 do Setor de Grandes Áreas Norte (SGAN).

E como desde março quero escrever para contar de outro projeto, aproveito e registro aqui: Curitiba, no meu Paraná, inaugurou uma Casa de Passagem Feminina e LBT (para pessoas que se identificam com o gênero feminino), serviço coordenado pela Fundação de Ação Social (FAS).

A unidade é a primeira do Brasil voltada para mulheres e público LBT – lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais e transgêneros – e tem capacidade para atender 50 pessoas.

Curitiba inaugura primeira Casa de Passagem Feminina e LBT do País

Para começar, é preciso preciso pouco, como mostra a foto, um local seguro onde dormir, comer, tomar banho e em segurança repensar na vida e planejar o futuro.

Na Casa de Passagem Feminina, as usuárias podem fazer a higiene pessoal, alimentação e ainda contam com o serviço de acolhimento noturno. Simultaneamente, as equipes buscam a recuperação dos vínculos familiares e o encaminhamento para outros serviços.

Na época em que fui voluntária do Movimento de Meninos e Meninas de Rua em Curitiba eu conheci muitos dos profissionais envolvidos com a FAS na capital paranaense e sei que atuam com muito afinco, lidando com situações bem difíceis, que incluem o salvamento das pessoas nas madrugadas geladas por morte pelo frio (infelizmente, coisa que pode acontecer por lá, pois alguns se recusam a ir para abrigos) e outras situações relacionadas à realidade de grandes cidades e da região que ainda tem sequelas da Tríplice Fronteira e etc.

Da nova Casa de Passagem, descobri que a necessidade de um espaço específico para o atendimento de mulheres e público LBT em situação de rua surgiu do reordenamento de serviços executado pela FAS com o intuito de melhorar o atendimento ao público em situação de risco social.

Concordo plenamente com eles quando decidem atuar para proporcionar uma trajetória de saída para a população que se encontra em situação de rua.

Para isso, é imprescindível humanizar atendimentos através de um serviço personalizado, particularizado e especializado. Um espaço menor garante melhor acolhimento e respeito aos nossos usuários e é uma alternativa pois poderia ser replicado em vários bairros – e em várias cidades no Brasil, concordam?

Como era lá:

Até o começo de 2013, o atendimento à população em situação de rua na região central de Curitiba acontecia apenas em uma única unidade, a Central de Resgate Social, que funcionava havia mais de 20 anos no mesmo local. Agora o atendimento, que antes era para quase 300 pessoas, acontece em espaços menores e com uma equipe pronta para atuar com as especificidades de cada público.

E o trabalho da FAS:

As equipes de abordagem social da FAS atuam 24 horas por dia na busca ativa da população em situação de rua, mas qualquer cidadão pode auxiliar neste trabalho. Caso verifique situação de risco para alguma pessoa que esteja em vias públicas da cidade, o munícipe pode entrar em contato com a Central de Atendimento da Prefeitura de Curitiba, pelo telefone 156, informando o local e a situação encontrada. A solicitação é direcionada às equipes do Resgate Social, que trabalham no convencimento e encaminhamento da população para as unidades de atendimento.

O fato é que precisamos começar a ajudar as vítimas já!

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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