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O carvão do churrasco dos paulistas pode ter o custo de uma infância perdida

Como disse um amigo, “problemas não me assustam desde que estejamos a caminho de resolvê-los”. Alguns, como o trabalho infantil, me assustam sim, pela desfaçatez de quem os cria e pela invisibilidade social – afinal, quem mora perto ou fica sabendo, vê isso e não faz nada?

Quando lemos sobre flagrantes de trabalho infantil e condições análogas à escravidão em carvoarias do interior imediatamente pensamos que aconteceu lá nos rincões, bem longe de nós…
Mas pode estar aqui ao lado!
Quer ver?

Na semana passada uma força-tarefa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), auditores do Ministério do Trabalho, juízes e promotores do Ministério Público comprovou irregularidades em carvoarias no interior de São Paulo, especificamente na região de Bragança Paulista (em cidades como Joanópolis e Atibaia), que incluem trabalho infantil e análogo à escravidão, desmatamento ilegal de mata nativa e construção de fornos em áreas de risco (por exemplo, ao lado de gasodutos). Batizada de “Operação Gato Preto”, a ação teve como alvo dez carvoarias da região.

Dói no coração, mas muita gente pensa que não tem como resolver, está longe e, afinal, como saber se o que a gente compra envolve trabalho infantil na cadeia produtiva?

Um bom começo é, numa ação de guerrilha, divulgar as marcas que são flagradas cometendo infrações ou crimes. Use seu Facebook e Twitter para isso! Poste no Instagram e incentive seus amigos e seguidores a boicotarem quem age contra a lei e usa trabalho infantil, adolescente desprotegido ou mesmo trabalho adulto em condições irregulares!

Por exemplo:

carvao sao jose flagrado com trabalho infantil e escravo - boicote as marcas que infringem leis

Na blitz de janeiro de 2014, a Carvoaria ME, em Joanópolis, tinha quatro menores com idades entre 13 e 17 anos quebrando, pesando e embalando carvão para a marca São José, uma das maiores de São Paulo e que distribui seus produtos para grandes redes nacionais de supermercados.

Faça boicote a marca que agem assim. Cobre do seu mercado do bairro, do açougue, do clube, da churrascaria, de onde puder que não compre carvão desta marca. Fale com os canais de mídia social de grandes marcas atacadistas e do varejo na área e insista que entrem com você, consumidor, numa campanha para afetar as marcas que não são boas no que mais pesa: suas vendas!

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A reportagem que li informava mais problemas no que diz respeito ao carvão da região de Bragança Paulista (que fica a 90 quilômetros da cidade de São Paulo): há cerca de 150 carvoarias espalhadas em pequenas propriedades cercadas de irregularidades. Muitas têm CNPJ inexistentes e, embora tenham habilitação da Cetesb, o órgão ambiental do governo paulista, operam em condições absurdas, como fornos fumegantes a pouco mais de dez metros de distância do Gasoduto Brasil-Bolívia (sobre o qual ainda passa uma estrada para dar acesso aos caminhões que levam a madeira, o que é expressamente proibido), com flagrantes de prática de desmatamento ilegal de mata nativa, com plantações de eucalipto cercando áreas de floresta nativa, que, aos poucos, vão “engolindo” o que resta de mata original nas propriedades. E tudo vira eucalipto, que é a madeira autorizada para a produção de carvão.

Por estas e outras faço parte da campanha “É da nossa conta!” #semtrabalhoinfantil que atua desde 2012 para tirar o tema do trabalho infantil da invisibilidade social e para mostrar à sociedade como, quando e porque adotar o sistema de inserção de jovens no mercado de trabalho em condições adequadas, o que chamamos de “trabalho adolescente protegido”.
Vem com a gente!

Use seus canais nas redes sociais para denunciar e para mostrar alternativas à velha ideia de que “melhor trabalhar do que virar vagabundo”, vamos mostrar que o melhor é estudar e ser cidadão.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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