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Madrugada de sábado e cá estou eu, escrevendo, pois perdi o sono após amamentar minha filha de 11 meses. Enquanto cuidava da pequena Manu, muitas reflexões me passaram pela mente e não consegui voltar a dormir antes de escrevê-las, de deixar registrado.

Registrar histórias e ideias tem sido minha vida, é a argamassa da qual sou feita, tanto na vida pública quanto na privada. Fiz diários desde que aprendi a escrever e fui penpall (amiga de troca de cartas) de muita gente mundo afora, na adolescência fiz ofícios para solicitar doações e engajar pessoas por causas sociais nas quais atuava, publiquei reportagens divulgando a realidade social que me perturbava e há uma década misturei tudo isso no meu trabalho online com o blog (que nasceu como um diário do consumo de cultura e do exercício da cidadania em família) e na minha empresa.

Nem tudo no qual me envolvo sou a inventora, assumo o papel “daquela que ouve” (significado do meu nome) e da que reporta o que aprende com os outros, doo meu tempo e minha experiência de vida e de carreira sem medo de ser lesada (mesmo já tendo sido) e me jogo no que acredito ser bom como quem pula de pára-quedas, confiante de que ele vai abrir – e ciente do risco de que isso não aconteça!

Mas não foi de pára-quedas que cai no projeto Cartas para o futuro, projeto que lancei com Talita Ribeiro no Centro Ruth Cardoso no dia 26/03/2014 e que nas suas primeiras 48h engajou meio milhão de internautas e amealhou quase 300 voluntárias efetivas.

nuvem de palavras do cartas para o futuro

Foi uma construção sólida, como tem sido, graças a Deus, tudo em minha vida.

Desvirtualizei Talita quando a convidei para um encontro que organizei na campanha Estudar Vale A Pena, divulgação de um projeto do Instituto Unibanco para estimular jovens a permanecerem no Ensino Médio. Curiosamente, foi o primeiro trabalho de Aline Kelly comigo na Otagai e o fizemos por uma ponte sugerida por Anderson Costa, que está conosco na empresa desde 2012, do Social Good (do uso de tecnologias de conectividade para o bem social) e da primeira campanha #semtrabalhoinfantil.

lançamento do cartas para o futuro no centro ruth cardoso

O grupo que esteve presente no lançamento do projeto no Centro Ruth Cardoso

Ao realizar a curadorias busco gente que considerei inspiradora e interessante, criando um ambiente de multidisciplinaridade e multiculturalidade. O mérito de envolver gente incrível pode ser meu no sentido de que sou a pessoa que sempre convida todo mundo para o que acha bom, com uma fé inabalável no ser humano que me faz acreditar que lá no fundo todo mundo gosta de ser coadjuvante de boas causas.

Mas o segredo do sucesso não está em saber fazer amigos e conquistar pessoas. Está em acreditar nelas e gostar de estar em coletividade, em trabalhar colaborativamente e buscar novas formas de fazer mais e melhor.

Foi assim que, depois de me envolver como voluntária por 33 anos em campanhas de outras pessoas, desta vez eu sinto que estou atuando num projeto que eu criei.

Ops, como assim, me dirão, o projeto não era da da Talita?

Claro que é. Foi ela quem visitou a escola em Poá a convite do Eduardo Lyra (criador do Gerando Falcões) e voltou deprimida com a realidade das meninas que contou no post onde apresentou o projeto aqui no blog. Mas me sinto parte dele desde os primeiros suspiros, numa segunda-feira lá na Otagai, onde trabalhávamos juntas e ouvi Talita dizer que queria fazer algo para estas meninas e eu disse que contasse comigo – mesmo sem saber bem o que sairia daquele compromisso.

Eu podia não saber o que ela faria e assinei um “cheque em branco”, mas da minha vivência eu sabia como ajudar. Há anos eu me envolvia em ações por mulheres e pela infância: da Cruz Vermelha quando tinha 8 anos ao abrigo de idosas e as meninas do Pequeno Cotolengo no Interact Club quando da adolescente, na reportagem premiada sobre prostituição infantil na Tríplice Fronteira quando era estudante de jornalismo e voluntária do Movimento dos meninos e meninas de rua às campanhas contra o trabalho infantil e por Todos pela educação, na militância por um mundo generoso com mulheres que trabalham depois que são mães e pelo aleitamento materno prolongado, do Outubro Rosa ao Social Good Moms e Por Ser Menina, tudo que fiz em 41 anos de vida me encaminhou para este dia.

Sinto que você que me lê pode estar pensando o mesmo e deve ser verdade pois não há coincidência e neste universo de voluntariado não há lugar para oportunistas de ocasião. Mas sempre há lugar para mais um.

O melhor jeito de fazer projetos como o Cartas para o futuro funcionar é compartilhar e abrir espaço para que a vida floresça com vigor, sem prendê-la debaixo da asa da gente. Faço isso diariamente com meus filhos há 14 anos, por isso sei que é assim que a vida se desenvolve de maneira saudável e com raízes fortes.

manu a mais jovem integrante do cartas para o futuro

Foi o que fiz para ajudar no nascimento deste bebê. Como disse à Talita no dia do lançamento, desta vez ela é a mãe e eu a madrinha – porque ela é a madrinha da minha filha – mas me senti meio doula, meio parteira e quero ser a babá se puder, porque a ideia de inspirar meninas e reunir uma rede de mulheres porretas para isso é maravilhosa. No dia do lançamento percebi nas falas das mulheres (você pode ouvir tudo no vídeo do youtube) que muita gente estava pronta para ser mãe deste filho com a gente. Então será um filho querido de muitas mães e graças a isso muitas meninas ganharão um futuro diferente, melhor, mais humano, mais amoroso, menos desconfiado e competitivo, mais colaborativo e construtivo. Tenho fé de que estas meninas descobrirão que a frase do título – Quem tem amigos, vai mais longe – é absurdamente verdadeira e as muitas amigas que farão no projeto farão tanto elas quanto as mulheres voluntárias envolvidas se sentirem cada dia mais capazes e mais felizes neste novo mundo que não precisa ser meu ou seu, pode ser nosso.

Então vem com a gente. Faça como as 500 pessoas que curtiram o post de lançamento, 130 pessoas que divulgaram no Twitter (uma das participantes do lançamento chegou ao Centro Rnth Cardoso por um tuíte!) e 53 pessoas que acompanharam ao vivo comentando o evento pelo Google+. Esta união fez a força: em 48 horas meio milhão de pessoas foram impactadas nas redes sociais com o post de divulgação. Nestes dois dias, 250 mulheres de todo o Brasil e também do exterior (Londres, Austin e Washington) responderam ao questionário para participar da rede de mulheres que escreverão cartas para inspirar meninas a sonhar com o futuro que merecem. Com isso, voluntárias de três cidades brasileiras se dispuseram a expandir a área de atuação do projeto que, a princípio, será implementado apenas em uma escola de Poá (na Grande São Paulo) com 150 a 180 garotas participantes.

Você quer participar?

Inscreva-se preenchendo o formulário (com respostas que ajudarão a “casar” suas competências com os sonhos de uma menina).

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Para se inspirar, veja o vídeo de lançamento do projeto no link. O evento faz parte da minha curadoria no Centro Ruth Cardoso e contou com a participação de Natercia Tiba, psicoterapeuta e escritora, Claudia Chow, geóloga da Rede Science Blogs Brasil, de Vivianne Vilela, diretora executiva do E-commerce Brasil, além de outras mulheres da rede, que acompanharam presencialmente ou através da transmissão ao vivo. Veja também fotos da ocasião estão disponíveis no link. Baixe o selo da campanha e compartilhe no seu blog, Twitter, Facebook, Google+ e LinkedIn.
🙂

Para saber mais sobre o Cartas para o Futuro, acesse o post de lançamento do projeto e tire suas dúvidas no comunicado para imprensa.

E vem com a gente, você fará toda a diferença na vida de uma jovem!

P.S. Falei de mães do projeto mas temos alguns “pais”, homens maravilhosos que, como meu esposo que nos fotografou e cuidou de Manu para eu participar. Sem eles não teríamos boa parte do que hoje é o Cartas.

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2015:

Cartas para o futuro: Carreira com @savicentini e @vanerodrigues

Roda de Conversa “Como melhorar nossa relação com a comida e com nosso próprio corpo?”

Cartas para o futuro – mudando o mundo de meninas e mulheres através de palavras

2014:

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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