Transformando um hobby em carreira paralela

Acredito que a virada na vida começa com um hobby. Para mim foi o blog, criado em 2005 para contar dos nossos passeios em Sampa, que mudou minha carreira, não me tirando do jornalismo, mas criando um novo espaço no qual uni meus voluntariados (outro “hobby”) no Terceiro Setor com o que estudei na faculdade de comunicação.

Acho que tem muita gente que está traçando um caminho parecido.

Um levantamento realizado com quase 500 profissionais brasileiros com pós-graduação mostra que 26% possuem carreiras paralelas. O estudo de Maria Candida de Azevedo para o doutorado na Universidade (holandesa) de Heerlen mapeou o perfil típico desse profissional e me surpreendi porque aqui no Brasil vejo mulheres neste caminho, mas ela mostra outro cenário: a maioria é homem, por volta dos 30 anos, casado com um cônjuge que também trabalha e sem filhos.

Porém, alguns detalhes estão dentro do padrão que encontro nas minhas redes de contato.

  • Para dar certo, a segunda atividade deve ser diferente da principal – ou seja, não é um apenas um segundo emprego – e deve configurar algum vínculo empregatício ou comercial, o que significa que não pode ser trabalho voluntário ou só um hobby. Um bom exemplo é a paixão pela culinária, que faz muito executivo virar culinarista e depois chef.
  • Ao comparar profissionais com esse perfil e aqueles com apenas uma carreira, nota-se que o nível de proatividade, satisfação no trabalho, comprometimento e percepção de empregabilidade são iguais entre ambos. Já a intensidade de engajamento, a energia (que diminui o risco de “burnout”), o protagonismo e a autonomia na gestão da própria carreira são mais altos entre aqueles que equilibram duas atividades.

Enfim, ter foco, dedicação e esforço para avançar na carreira não é tarefa fácil, mas isso não impede algumas pessoas de dobrarem esse desafio e se dedicam a duas trajetórias profissionais ao mesmo tempo. Embora muitas empresas ainda vejam essa situação com hesitação, outras abrem as portas para esses funcionários, aproveitam seus talentos múltiplos e, de acordo com a pesquisa, acabam com profissionais mais engajados e autônomos.

Conte aí, como a empresa em que você trabalha reage a esta realidade, apoia ou limita o profissional que tem interesses diversos? E você, empresário, como tem apoiado seus colaboradores?
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.