Um projeto encantador: Carona a pé

Vejo muita gente compartilhando as imagens de crianças japonesas ou escandinavas indo e vindo da escola a pé, sozinhas, com comentários elogiosos ao Primeiro Mundo e ao modelo que não temos aqui, sempre se desfazendo do Brasil.

É verdade, aqui temos grandes riscos sociais, mas as crianças andam cada vez menos sozinhas nas ruas também por uma escolha nosssa. No meu bairro paulistano, quase no centro da cidade de São Paulo, as pessoas usam muito as ruas, caminham muito e por isso cuidam muito da cidade. Creio que funciona assim: quanto mais gente a pé na rua, mais segurança.

E tudo pode começar com a gente.

Eu levo minha filha para aula a pé até com chuva e, de certa forma, noto que outros pais se identificam com isso. Meus meninos passaram a ir e vir sozinhos da escola no Fundamental 2, com cerca de 9 e 11 anos, causando certo furor entre outros pais, mas logo criando um grupo de amigos para fazer o trajeto de cerca de 1km juntos.

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E tem que gente que faz mais do que só inspirar ou servir de exemplo, muda mesmo as coisas.

O Carona a Pé surgiu em junho de 2015, uma iniciativa da professora Carolina Padilha, inspirado em outros programas similares que acontecem ao redor do mundo e o modelo – que tem um adulto voluntário à frente de cada grupo de menores – me lembra muito o que via nas ruas do Japão, onde morei logo que casei.

É um movimento que deseja despertar adultos e crianças para a importância de caminhar e construir uma nova relação com a cidade onde vivem.

O programa reúne a comunidade escolar que mora próxima e possa percorrer junto o trajeto de ida e|ou de volta da escola em pequenos grupos, em um horário pré-estabelecido, seguindo uma rota determinada.

“Somos um projeto de mobilidade e temos o objetivo de melhorar a relação das crianças, adolescentes, jovens e adultos com a cidade. Acredito que caminhar ensina as crianças a se comportarem no trânsito e gera confiança entre elas e os condutores, além da importância do compromisso com as outras pessoas do grupo. Tudo isso possibilita uma vida mais saudável.”

Saiba mais e se cadastre para fazer parte aqui: caronaape.com.br.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.