sustentabilidade

O carnaval paulistano...

No sábado a gente voltava para casa da região do Mercado da Cantareira (25 de Março) pela rua Piratininga e nos deparamos com alegorias do carnaval paulistano sob um viaduto da Radial Leste. Ao fundo, além da face deitada de um dos descartes da festa, tinha meia dúzia de carrinheiros separando os enfeites e carregando-os para reciclagem.

Eu confesso que nunca tinha parado para pensar, de fato, para onde vão os enfeites que vemos nos desfiles de carnaval, embora soubesse que o evento tem números impressionantes.

E os restos da festa nos viadutos da cidade...

Na semana passada @anamariacoelho relembrou,  no Lounge Empreendedor, a economia criativa que envolve o carnaval, dando conta de que, segundo dados do Censo do Samba, a festa gera mais de 4,3 mil empregos diretos e indiretos e movimenta aproximadamente R$ 90 milhões.

“Entre modismo, ingenuidade ou ações reais, o que vale é perceber o impacto da criatividade e da inovação nos vários segmentos da economia. Diante dos desafios da construção de novos modelos de negócios e de uma sociedade mais sustentável, a chamada economia criativa abre uma nova frente de empreendedorismo e oportunidades.”

E como a coisa acontece em outras cidades que tem a economia ainda mais ligada ao carnaval? No Rio de Janeiro a situação não é diferente quanto às escolas de samba, sem falar na aglomeração por conta dos blocos de rua – e fiquei curiosa para saber dados de cidades como Salvador e Recife! Li no jornal O Globo que a empresa que a Comlurb coletou das ruas do Rio cerca de 79,2 toneladas de resíduos, perfazendo 360 toneladas retiradas das ruas após a passagem dos blocos desde que a folia de 2011 começou. Estima-se que entre 40- e 50 toneladas de lixo serão retiradas só da parte interna da Marquês de Sapucaí nestes dias de desfile das escolas de samba do grupo especial carioca, o mais famoso do Brasil.

Catadores de materiais recicláveis atuando no Sambódromo do Rio

Segundo a gerente da Área de Economia Criativa do Sebrae – Rio, Heliana Marinho, que coordena pesquisa sobre a economia do carnaval, ainda é uma festa “deficitária” na área econômica e “insustentável” na questão ambiental pois os recursos aplicados pelos governos no evento poderiam ser substituídos por incentivos do setor privado e o lixo gerado nos desfiles das escolas de samba poderia ser reaproveitado.

“Do ponto de vista econômico, pelos nossos cálculos, o carnaval é deficitário, porque conta com muito subsídio público. Os resultados preliminares mostram que é preciso profissionalizar a festa, e incentivar a criação de empregos formais, além de diminuir o desperdício de materiais que não são reutilizáveis, como látex e isopor”.

Se no aspecto empresarial (das verdadeiras corporações que são as grandes escolas de samba) é complicado reduzir o volume de descarte produzido (se bem que ações como a parceria da Comlubr e Coca-Cola com entidades de catadores de materiais recicláveis para a coleta de material reaproveitável no Sambódromo já animam muito), os foliões sempre podem colaborar. Vale ver as dicas que o instituto Akatu (do Consumo Consciente) divulgou recentemente sugerindo como fazer seu carnaval ser mais sustentável (e, acrescento aqui, as dicas valem para todos nos feriadões):

1. Produza menos lixo

2. Jogue o lixo no lixo

3. Reutilize as fantasias

4. Cuidado com os excessos

5. Seja um turista consciente

6. Gaste menos combustível

7. Tire os equipamentos da tomada se viajar

8. Não desperdice água

9.Aproveite a cidade vazia

10 . Divulgue o consumo consciente

E você, que dados tem sobre o carnaval na sua região? A economia criativa consegue se sustentar por aí e a geração de empregos e renda desta festa popular tem compensado o impacto ambiental?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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