Governo vai instalar máquinas de camisinhas em escolas públicas: será o caminho certo?

“Máquina do bem ou do mal? O debate está aberto. Com razão. O avanço da aids, não obstante as campanhas milionárias em favor da camisinha, indica que algo não está funcionando. Esse aumento, sem dúvida preocupante, pode levar, mais uma vez, aos diagnósticos superficiais e, por isso, míopes: focar a questão apenas nas campanhas em favor do chamado “sexo seguro”. A camisinha será a panaceia para conter a epidemia. Continuaremos padecendo da síndrome do avestruz. Bateremos nos efeitos, mas fugiremos das verdadeiras causas: a hipersexualização da sociedade.”
Carlos Alberto di Franco, em artigo sobre o tema no Estadão

Neste domingo li uma notícia, por indicação de uma mãe que conheço na web há anos, falando sobre um projeto piloto do Governo para promover a ideia de sexo seguro entre os adolescentes de escolas públicas.

Segundo a nota do R7, serão instaladas 40 máquinas de camisinha em seis escolas de Santa Catarina, Paraíba e Distrito Federal, no projeto – pioneiro e em caráter de teste – que será posto em prática em 2011. Espera-se que as máquinas ajudem a reduzir os riscos de Aids, DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e gravidez nas escolas públicas.

E por que máquinas?

A experiência mostra que os adolescentes se constrangem ao falar de sua vida amorosa e sexual com adultos – pais, professores, enfermeiras da escola – e a alternativa foi instalar as máquinas, nas quais os alunos poderão retirar as camisinhas após digitar o número de registro na escola e uma senha, dada por um professor responsável pela máquina.

Os equipamentos são criação de alunos de colégios federais de Santa Catarina e da Paraíba, os chamados Cefets (Centros Federais de Educação Tecnológica), campeões e vice-campeões do Prêmio Inovação Tecnológica de 2010. As máquinas criadas pelos jovens têm capacidade para 500 camisinhas, que serão de dois tipos – com tamanho comum e tamanho especial para adolescentes, um pouco menor.

Dependendo dos resultados, o projeto pode ser estendido para colégios de todo o Brasil, diz o Ministério da Saúde. Tenho dois filhos ainda jovens para esta novidade (que pretende atender jovens de 13 a 19 anos), mas não deixo de me perguntar se está certo ou errado disponibilizar camisinhas sem ter de fato uma conversa com os adolescentes sobre o significado (emocional, psicológico e mesmo físico) da manutenção de uma vida sexual ativa.

Mesmo não sendo contra, considero que o projeto do Ministério da Saúde só será bom e positivo se também tiver orçamento para equipes de assistentes sociais, psicolólogos e médicos que conversem sobre o tema (iniciação sexual e planejamento familiar) com pais e filhos, desmistificando o tema no seio das famílias e permitindo uma escolha mais consciente por parte dos jovens e de seus familiares acerca desta escolha.

E para completar, uma dica do texto de abertura do post: “Caráter forte, sexualidade inteligente” programa Protege Tu Corazón acerta ao “Propor e não impor” educação sexual aos jovens.

P. S. Contextualizando:

Os problemas sexuais nas escolas brasileiras foram avaliados em uma pesquisa da Unesco de 2007. Dos 44,7% de estudantes com vida sexual ativa no país, quase a metade diz não usar preservativo por não terem na hora do sexo. Outros 9,7% afirmam não ter dinheiro para comprar a camisinha – mesmo esta sendo distribuída de graça em postos de saúde. Mais de 37,5 mil meninos e meninas entre 13 e 24 anos têm Aids.

Esta realidade, trabalhada no SPE (Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, criado pelo governo federal em 2003) programa que busca incluir as questões de sexo e reprodução na educação dos jovens, tentou propor a distribuição gratuita de preservativos dentro das escolas – iniciativa que, afirma o governo, agradou aos alunos e pais. O departamento de DST do Ministério da Saúde afirma que a distribuição de camisinhas atinge 28,8 mil escolas públicas em todo o Brasil. No total, há 125,8 mil colégios de ensino fundamental e médio no país – 61,2 mil participam do programa de educação sexual.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook