mãe / relacionamentos

RT @viagempimpolhos: @samegui RT @fabi_pe Que absurdo! RT @subversiva Gente, isso não pode ser verdade – http://glo.bo/irYnAi

Soube num tuite, há pouco, e como escreveu Sut-Mie (do blog Viajando com os pimpolhos), é um absurdo. Ao ler sobre a ansiedade com que uma menina #a0s7 é submetida a cuidados estéticos pela mãe (ela recebe, a cada dois meses, aplicações de botox no rosto e faz preenchimento labial) fiquei estarrecida.

E lembrei do belo exemplo de reação que os pais (e não pais também) demonstraram com um caso parecido de “roubo de infância” divulgado na rede há algumas semanas, quando uma pessoa fotografou sutiãs com enchimento vendidos para crianças pequenas. Logo surgiu uma campanha em retaliação à marca, da qual soube por Ingrid Strelow (do blog Desconstruindo a mamãe), que comentou  com razão que

“Sutiãs com enchimento para meninas de 6 anos… desnecessário. Assim como todo o aparato que faz a adultização da criança. Criança pode brincar de imitar adultos, não precisa queimar etapas.”

Eu também já brinquei (muito e muito) com as maquiagens, roupas e sapatos de salto da minha mãe, mas não fui incentivada a buscar alternativas para aprimorar o que eu era em termos estéticos. Nem mesmo salto minha mãe incentivou a usar – apesar de eu crer que meu tamanho (1,50m), menor que ela, deva tê-la preocupado em determinadas fases do meu crescimento.

Pelo contrário, quando eu reclamava de pequenas imperfeições em mim ela reforçava o quanto elas me faziam ser única e deixava claro que se, depois de adulta, eu quisesse melhorar (minha mãe fez plástica no nariz, não podia simplesmente fechar questão, né?), poderia, mas esta não era uma preocupação de infância.

O que preocupa quando pais compram sutiã com enchimento para crianças é, além da erotização precoce, que eles estão afirmando de modo subliminar (ou não) que é preciso disfarçar imperfeições, ajeitar ou encobrir falhas, corrigir defeitos para ser socialmente aceito ou emocionalmente amado.

Se, por acaso, como no caso desta garotinha do botox e maquiagem definitiva na sobrancelha, a motivação é ser rica e famosa o quanto antes (cedo, pois a mãe almeja que ela seja “tão famosa quanto a atriz Willow Smith, de 10 anos, filha de casal hollywoodiano Will e Jada Pinkett Smith”), o objetivo de vida da criança pode ficar muito limitado. E não tem “desserviço” maior que educadores e cuidadores possam fazer a uma criança do que lhe tirar os objetivos de crescimento ou, pior, impor sobre a criança objetivos que na verdade são sonhos não realizados dos adultos ao seu redor.

E o que podemos fazer?

Não dar Ibope para este tipo de ação, é um começo muito bom – eu faço isso com os vídeos que exploram o sofrimento infantil no YouTube, ficam sem poder contar com minhas visualizações. Trollar (reagir mal) a quem faz, é outro caminho, pois deixa nossa opinião contrária. E, acima de tudo, podemos mostrar que é possível vivenciar a infância sem exageros e sem superexposição, mesmo em tempos de Broadcast Yourself.

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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