Vejam a imagem e me digam se precisa mudar algo nesta menina linda

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A imagem eu tirei de um update que divulgava post no blog de uma maternidade paulistana, com a chamada “Cabelinho crespo! Incentivar ou alisar?“. Considerem o crédito da foto como reprodução de site da internet (embora eu tenha feito uma arte no aplicativo PIPCamera) e me respondam:

– Precisa mudar algo nesta menina linda?

Em sã consciência a gente diria que não né?

Mas o tema foi aberto por lá e tem muito comentário. Cada um diz o que quiser, mas, ao publicar um post que diz “Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas“, a equipe que produz conteúdo abre espaço para que a gente se incomode. O tema veio à baila no grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook e quem chamou escreveu algo que eu pensei também: “Tudo bem que falaram que não é o indicado, mas escrever que as mães fazem isto para deixar as crianças mais bonitas é um absurdo, então quem tem cabelo crespo é feio?

Contei lá dois relatos muito pessoais. Logo que engravidei eu presenciei uma conversa que me surpreendeu entre duas mães que queriam me contar do “universo de mães de menina” no qual eu entraria agora com a Manu. Um dos temas era o alisamento de cabelo e eu me choquei porque, sinceramente, jamais pensei em alisar cabelo de criança, nem com escova de secador, que dirá com química. Mas elas diziam (e me mostraram fotos das filhas, lindas por sinal, com cabelos encaracolados como depois descobri que eram os naturais das mães) que com 11 ou 12 anos já poderiam fazer alisamento. Sabem o mais chato? Eu nunca posso argumentar porque as pessoas dizem que eu “com este cabelo de japa” não faço ideia do que é ter cabelo crespo… mal sabem que cheguei a fazer permanente quando tinha uns 18 para ficar mais parecida com minha mãe, que tem cabelos crespos (e claros) naturais.

O que me preocupa – e a muitas pessoas, graças a Deus – é, como disse uma das participantes do grupo, a pessoa “complexar a criança falando que tal cabelo é feio e precisa ser tratado”. No meio do papo entra no grupo meu marido e diz o que todo mundo deveria dizer:

“O que as pessoas tem que fazer é olhar para as crianças de cabelo crespo é elogiar. Eu acho lindo. Só que a mulherada que tem cabelo crespo (uma grande parte delas ao menos) fica maluca pra ir ao salão fazer chapinha ou escova definitiva, sejam elas afro descendentes ou não. Cabelo crespo é bonito assim como liso também. Viva a diversidade que é privilégio do nosso Brasil.”

É mostrar a beleza em cada diferença, sem traumas.

Em tempo:

Minha surpresa maior foi fazer uma busca sobre o tema na internet e achar muitas reportagens sobre alisamentos para cabelos de crianças. Descobri na revista Cabelos & Cia que “nos Estados Unidos é possível relaxar o cabelo a partir dos três anos, pois há produtos infantis(…). Isso não ocorre no Brasil, onde só contamos com fórmulas para adultos. Mesmo assim, aqui se faz o primeiro relaxamento por volta dos seis anos.”

Uma atriz mirim de 9 anos dizia em reportagem do Bolsa de Mulher que “costuma fazer tratamentos para alisar as madeixas, mas toma cuidado quando o assunto é química” e que “quando for adulta [vai] usar formol, sim”.

Num blog tem até uma receita de alisamento natural para crianças, pode? Acho que pode, pois vi na reportagem uma mãe contar que “todo domingo faz alisamento com chapinha na filha de 4 anos”… e tem vídeos com crianças mostrando a arte do alisamento. E no Vila Mulher uma colunista defende o relaxamento para crianças acima de 5 anos.

Realmente tem muita coisa que eu desconheço sobre o universo das mães de meninas… mas uma coisa eu sei e comprovei: a Anvisa proibe os alisamentos químicos, no entanto a proibição é só até os 12 anos. O critério, enfim, é mais dos pais do que de qualquer órgão.

E você, na sua família, como vê esta questão?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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