cidadania / destaque / girl up!

Estou há dias ensaiando para escrever sobre o imbroglio do burkini*. Há semanas, desde que li sobre a hipótese (que chegou a virar regra e caso de polícia) de proibirem o uso do traje de banho feminino que cobre todo o corpo, me incomoda pensar neste movimento de supressão de direitos individuais.

Hoje li no jornal, que estampava essa cena de protestos em frente da embaixada francesa de Londres, os cartazes que mesclavam os valores da emblemática Revolução Francesa de 1789: liberdade, igualdade e, no lugar da fraternidade, sororidade*. 

Da imagem, o que de fato mais gostei foi a hashtag: #WearWhatYouWant. Em português, #VistaOQueVoceQuiser #burkini

Da imagem, o que de fato mais gostei foi a hashtag: #WearWhatYouWant. Em português, #VistaOQueVoceQuiser

Por trás desse movimento, que parece somente mais uma violação aos direitos da mulher, está um risco que, em minhas leituras recentes de livros (A distopia Submissão e a pseudo reportagem Diário de uma jihadista, sobre os quais já escrevi aqui) está uma briga maior até do que o racismo e a xenofobia: o interesse da “extrema direita” francesa de vetar todos os símbolos religiosos em espaços públicos.

Burkini: se há praias de nudismo e topless liberado há décadas, por que usar roupa pode ser tão incômodo?

Burkini: se há praias de nudismo e topless liberado há décadas, por que usar roupa pode ser tão incômodo?

Já imaginaram um mundo sem roupas de padres, de freiras, sem quipás de judeus e véus de muçulmanas? Em que a cruz cristã é um símbolo proibido? Pois é assim que Florian Philippot, da Frente Nacional, defende que a França será se seu partido chegar ao poder.

Não parece mesmo uma história futurista de ficção? Mas não é só. É um grupo que cresce assustadoramente lá assim como is “bolsominnions” aqui. 😱

Leve, de secagem rápida, composto por duas peças que cobrem o corpo e o cabelo, o 'burkini' foi criado há mais de uma década por uma australiana-libanesa como uma forma de ajudar as mulheres e jovens a praticarem esportes.
Leve, de secagem rápida, composto por duas peças que cobrem o corpo e o cabelo, o ‘burkini’ foi criado há mais de uma década por uma australiana-libanesa como uma forma de ajudar as mulheres e jovens a praticarem esportes.

Aheda Zanetti desejava incluir as muçulmanas em práticas saudáveis, criando condições para conciliarem a sua fé com momentos agradáveis ao ar livre. Lembram-se das atletas egípcias de vôlei de praia nas olimpíada Rio 2016? Elas não estariam aqui sem essa opção. 


Honestamente, entendo este caso de um jeito até simplista: cada um deve ter a liberdade de escolher o que quiser. Se isso não prejudicar diretamente seu entorno, ok. Se há praias de nudismo e topless liberado há décadas (em alguns países, num movimento que começou justamente na França), por que usar roupa pode ser tão incômodo? 

E para concluir, voltamos ao velho e bom bordão: My body, my choice. Meu corpo, minha escolha – e minhas regras. 

 *Sororidade é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo.

*Sororidade é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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