Bullying: ações ou inações de alguns dos adultos da escola são preocupantes

“[Nos casos de bullying,] ações ou inações de alguns dos adultos da escola são preocupantes”

Esta fala já foi minha, várias vezes, em inúmeros textos que produzi sobre bullying real e virtual (não sei se tem como separar os dois hoje em dia). Mas foi dita por Elizabeth D. Scheibel, promotora de mais um caso triste de bullying noticiado recentemente.

Segundo divulgaram na imprensa, nove adolescentes foram indiciados pela Justiça do Estado americano de Massachussetts após o suicídio de Phoebe Prince (estudante de apenas 15 anos) que foi vítima de bullying (intimidações físicas e psicológicas) do grupo. Imigrante vinda da Irlanda, Phoebe teria se matado após uma série de ataques físicos e verbais, culminando com um dia descrito como “torturante” no qual ela teria sido vítima de calúnias e atacada com uma lata de bebida.

O pior? Há fortes indícios de que os ataques teriam ocorrido majoritariamente dentro da escola -além de  mensagens por celular e em redes sociais na internet. E a mãe de Phoebe não se furtara de intervir, conversando com pelo menos dois funcionários da escola, que estavam cientes de tudo, ou seja, os problemas eram “amplamente conhecidos” pela direção.

Cenas de TV do massacre em Colombine, 1999

Quando trabalhava em Toquio uma das minhas funções na redação do jornal semanal era acompanhar o que acontecia no mundo e resumir os principais fatos. Uma das notícias que mais me marcou foi o massacre da escola Colombine, nos EUA, em que dois meninos mataram colegas e feriram muitos outros. Parte da motivação era, como em outros casos subsequentes, o fato de não serem aceitos. Nos EUA, especialmente nas escolas, há um culto aos alunos populares, que cabem no conceito de sucesso (no American Way of Life) e quem sai deste padrão é excluído. Formam-se guetos nas instituições de ensino e o curioso é que é um padrão comportamental tão arraigado que, além dos alunos, pais e educadores não alteram o formato, concordam, ainda que sofrendo juntos ao reviver situações delicadas pelas quais eles mesmos passaram em seu tempo de escola.

Embora esta conduta seja “deles”, me preocupa sobremaneira notar que, com o advento e a popularização da TV a cabo e dos canais infantis, estes comportamentos estejam se tornando, aos poucos, modelos de conduta infantil para muitas crianças que são bombardeadas com piadas e práticas assim nos desenhos animados e telenovelas infantis que passam em canais como Cartoon Network, Nickelodeon e Disney Channel.

Será que vamos assistir passivamente esta inserção de novos modelos de conduta para nossas crianças sem reagir? E como nós, pais e educadores, podemos reagir?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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