destaque / sustentabilidade

Cresci ouvindo uma história de que meus pais se aproximaram porque, para ganhar a confiança da minha mãe, meu pai ofereceu o carro emprestado para ela usar nas noites em que ia dar aulas numa tribo indígena onde fazia alfabetização de adultos no Projeto Rondon.

“O Projeto Rondon foi criado em 1967 e durante as décadas de 1970 e 1980, permaneceu em franca atividade, tornando-se conhecido em todo Brasil. No final dos anos oitenta, o Projeto deixou de receber prioridade no Governo Federal, sendo extinto em 1989.  Em 2005, já com uma nova roupagem, o Projeto Rondon voltou a figurar na pauta dos programas governamentais, sendo atribuída a sua coordenação ao Ministério da Defesa. Desde então, o Rondon já levou mais de 12.000 rondonistas a cerca de 800 municípios.”

O folclore era real e vários amigos deles já me confirmaram a história. Minha mãe, então estudante de Direito, dava aulas para índios do Oeste paranaense, onde morava. Sempre achei a ideia deste trabalho social linda e romantizava muito o trabalho da minha mãe, claro.

Ainda hoje, com filhos quase em fase universitária, eu penso que contribuir para a formação do universitário como cidadão e integra-lo ao processo de desenvolvimento nacional, por meio de ações participativas sobre a realidade do país é um objetivo super nobre. Sei que a ideia original da “responsabilidade social, coletiva, em prol da cidadania, do desenvolvimento e da defesa dos interesses nacionais” é muito estranha e cabe bem naquele modelo da época da Ditadura Militar, mas ainda acredito no conceito de que a gente deve conhecer todos as “tribos” e “atores” da nossa sociedade. E eu, que fui voluntária na adolescência, sei que os jovens respondem bem aos convites para produção de projetos coletivos locais, em parceria com as comunidades assistidas – e pode ser na cidade, como os Coletivos da Coca-Cola que eu visito fazem, hein!

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Agora sobre a relação e nossa percepção dos indígenas, isso é outro papo. Parte da nossa sociedade, mas tão separados (excluidos?), eles vivem literalmente à margem de tudo.

Foi a tecnologia que me deu oportunidade de conhecer as novas lideranças indigenas e mudar bastante minha visão sobre eles. Na minha primeira Campus Party, em 2009, eu fui voluntária do Campus Verde, um dos setores da “grande festa geek” e convivi intimamente com os líderes que estavam por lá. Eu estava no evento como jornalista, mas vi muita coisa interessante sobre a cobertura feita por eles e aprendi como (na época) eles se reuniam em rede usando a internet para fortalecer sua cultura.

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“Engajados, os tupinambás promoveram, no Campus Verde, uma oficina sobre etnomídia – que é o estudo da comunicação colaborativa e compartilhada entre etnias ou, em bom português, o jornalismo feito e praticado pelos indígenas – e até deram uma alfinetadinha nas lan houses.”

 

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Você quer saber mais também? E ter uma experiência de imersão cultural?

De 9 a 16 de agosto, o Ministério da Cultura (MinC) e o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc/SP) promovem, em São Paulo (SP), o encontro Brasil Indígena: história, saberes e ações. O evento irá reunir mais de 200 lideranças indígenas do Brasil, que debaterão diversos pontos ligados a políticas culturais para povos indígenas. O encontro será composto de três ações: reuniões do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas (9 e 10 de agosto), o II Fórum Nacional das Culturas Indígenas (de 11 a 14 de agosto) e o Encontro das Culturas Indígenas (de 13 a 16 de agosto). O evento contará com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, no dia 15 de agosto.

O Fórum contará com 11 rodas de conversas que irão focar no Plano Setorial e na publicação “Brasil Indígena: História, Saberes e Ações”, livro que deu nome ao evento e que mostra as condições de vida dos povos indígenas brasileiros e os desafios que enfrentam em seu cotidiano para fortalecer suas identidades culturais. A expectativa é que, ao final do fórum, sejam estabelecidas a definição das metas do Plano Setorial até 2020 e das prioridades para o biênio 2015/2016.

O fórum será precedido pela reunião do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas, que vai tratar dos resultados alcançados nos últimos dois anos. Outro ponto que deverá ser abordado é o edital de artes – específico para povos indígenas – que deve ser lançado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) no primeiro semestre de 2016.

Por fim, o Encontro das Culturas Indígenas encerrará o evento e irá mostrar ao público diversas expressões culturais de diferentes etnias do Brasil. Contará com rodas de história, oficinas culturais, intervenções culturais, mostra de vídeos indígenas, feira de artes indígenas e a cerimônia de lançamento da publicação “Brasil Indígena: História, Saberes e Ações” e da entrega e divulgação da Carta do II Fórum Nacional das Culturas Indígenas.

Anote aí: a síntese dos debates será apresentada ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, em 15 de agosto, às 20h, no SESC-Belenzinho.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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