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Campus Party - fotos de @angelaernesto #cpbr4-148

Campus Party - fotos de @angelaernesto #cpbr4-146

A pergunta parece estranha para quem nunca entrou num blog de mãe de bebê até uns 18 meses, mas quem tem alguém próximo com bebê e blog, sabe exatamente do que estou falando. Eu não estou criticando, na verdade pouco emito opinião sobre o tema porque considero que blog pessoal é um diário e tem que ser um espaço de liberdade. Mas “especialistas” (detesto esta expressão tão em voga ultimamente) criticam a exposição da intimidade familiar e os primeiros “tudo” da criança, definindo este modismo “Baby Brother” como algo que pode prejudicar a definição dos valores e da formação infantil.

“A criança vai crescer possivelmente achando que é bom expor a própria intimidade, porque ela dá valor ao que os pais valorizam”, afirma Luciene Paulino Tognetta, pedagoga e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Unicamp e da Unesp.

Tenho muitas dúvidas sobre isso. Como acontece com outras ferramentas, não é o espaço de exposição que faz mal e sim a forma como lidamos com a vitrine virtual que pode prejudicar ou ajudar. Eu escrevo profissionalmente como mãe desde 2006 e não usei, jamais, situações íntimas ou constrangedoras dos meus filhos para ganhar simpatia, atrair comentaristas ou causar polêmica. Uso sim as situações vividas com (ou por) eles como ponto de partida para reflexões pessoais e, por que não, coletivas. Aprendo muito ao abrir espaço para pensar coletivamente como as situações vividas por meus filhos podem ser significantes para a concretização de uma mudança que vemos acontecer na sociedade, mas nem sempre conseguimos entender para onde vai.

Foi com estas ideias em mente que cheguei à desconferência de blogs maternos “Baby Brother” que realizamos no último dia da Campus Party. A ideia, que surgiu de conversas com @alinekelly @smiletic @anamariacoelho, se tornou uma necessidade de ampliar o debate em torno do tema, chamando mães que estão ligadas à maternidade e de alguma forma expõem (ou não!) seus filhotes ou sua imagem como mãe na internet.

Campus Party - fotos de @angelaernesto #cpbr4-150

Da troca surgiu muita coisa boa, difícil de concentrar aqui, mas vale citar que debatemos a presença do pai, a sobrecarga da mãe, a forma como os filhos lidam com as imagens (fotos e vídeos) nas novas mídias (redes sociais como orkut, facebook, twitter, youtube, flickr) e acima de tudo sobre a importância que a troca de ideias – e até de confidências – neste espaço virtual é importante para as mães atuais. É na internet que nós conseguimos nos sentir “normais” ou “menos anormais”, dizem em uníssono as mães, porque aqui achamos outras pessoas passando pelas mesmas situações – achamos também críticos, como os que apedrejaram as mães na reportagem da Folha, mas o fato é que nos sentimos parte do todo neste universo onde nem sempre as pessoas falam de filhos.

Na geração de nossos pais quase todo mundo tinha alguma relação com crianças – as famílias ainda moravam muito próximas, quase todos os casais tinham filhos, não raro tios e tias solteiros ainda moravam perto dos rebentos da família e tinham intimidade com os assuntos familiares. Hoje, apesar de tanta informação e da consolidação da presença do homem numa paternidade ativa, as mulheres não raro se sentem solitárias quando se tornam mães. Não há mais quem “acampe” na casa durante a “dieta”, enchendo de cuidados a mãe e o bebê, não tantos amigos com filhos com quem conversar e trocar informações, não há mais a avó aposentada com tempo para ajudar em tudo. E o que nos resta, muitas vezes, é a internet que nos une de forma indelével.

Se for também assim para você, conte abaixo, nos comentários, como a internet tem lhe ajudado a viver melhor a maternidade – e pode opinar sobre o Baby Brother, a exposição dos filhos na internet também.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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