Blogueiros profissionais inspiram crianças a blogar?

Esta pergunta do título – Blogueiros profissionais inspiram crianças a blogar? – eu vou começar a responder nesta tarde. Darei palestras para crianças de 5º ano numa escola e a professora que me convidou disse que estão ansiosos por conhecer uma blogueira profissional.

Criar um blog e tentar mantê-lo no ar, com regularidade de posts e diversidade de temas, é uma tarefa que há poucos anos era restrita a faculdades. Lembro de quando conversei com turmas de alunos na PUC-SP sobre o tema, há coisa de três anos e hoje vejo que “blogar” está entrando no currículo cada vez mais cedo. Neste caso, no ensino fundamental 1 (o antigo primário).

E como estas crianças se comunicam? Falam sobre o quê?

Fui pesquisar porque, embora os meus próprios filhos tenham blog (já tiveram pessoais, criados para escola e desde janeiro de 2010 têm um blog com outros filhos de blogueiros, o Ver Para Crescer), não há um modelo. Enquanto mães como eu, Aline Kelly e Maitê Lemos (mães do @verparacrescer) e Christiana Ferreira (do Inventando com a mamãe) entendem o blog como uma oportunidade de exercício do raciocínio e da prática da escrita dentro dos padrões, há crianças que escrevem livremente e colocam à prova nossa capacidade de entender internetês – que, vale reiterar, eu não repudio, pelo contrário, considero uma linguagem interessante até por tentar reproduzir simbolicamente a linguagem falada, um exercício e tanto de escrita e de comunicação!

Listo aqui alguns dos blogs de crianças que hoje contatos do Twitter me indicaram:

Estará certo cobrar a escrita correta quando a ideia é se comunicar pela web?

Como jornalista, sinceramente, creio que não. Importante mesmo é que estas crianças aprendam a discorrer, a criar textos fluidos nos quais seu pensamento possa ser organizado, reproduzido e construa um discurso com começo, meio e fim, ao qual as pessoas sintam vontade de reagir, de trocar, de compartilhar. A ideia central do blog é esta: ser capaz de compartilhar (ideias, novidades, sentimentos, reflexões) e inspirar no outro (aquele ser anônimo e inesperado que nos lê) o desejo de continuar a conversa com a gente.

Já como mãe comunicadora, eu admito que aproveito este instrumento para reforçar em meus filhos (os produtores de conteúdo do Ver para crescer) um encadeamento de ideias que também tenha cuidados com a forma (o texto bem escrito) e o roteiro. Cobrar deles que antes de começar a escrever pensem nas perguntas básicas do jornalismo – o que, quem, quando, como, onde e por que – ajuda a planejar o que se escreve. Outra cobrança minha, que não deveria ter, mas acontece, é pelo “lead” – a primeira parte de uma notícia, que fornece ao leitor a informação básica sobre o tema e pretende prender-lhe o interesse – para que o leitor já saiba se vai ter interesse ou não no que estará no texto.

E onde estas crianças blogueiras podem chegar se acertarem o passo?

Na Campus Party 2010, durante o debate
Na Campus Party 2010, durante o debate

Na Campus Party de 2010 eu moderei um painel composto por adolescentes que foram longe. Estavam lá o “adulto” Fabio Yabu (hoje conhecido pela série de TV Princesas do Mar, mas que foi um adolescente que lançou via blog séries como o Combo Rangers e hoje é escritor de livros infantis), ao lado de jovens, à época com 14 anos, João Montanaro (de Por João, blog onde publica suas tirinhas que já viraram livro e são publicadas em jornais como Folha de S. Paulo e Le Monde Diplomatique) e Joaquim Loprete (de Blog do Joca, onde escreve sobre futebol). No ano seguinte, também na Campus Party, estive na companhia de Larissa Faria, à época com 13 anos, (@larsrock, uma tuiteira muito ativa que mantém dois blogs e é do Grupo de Apoio do Folhateen), além de conhecer pessoalmente os jovens promissores e ultra famosos João Pedro Motta (@oficialjoao), que aos 14 já era um programador respeitado) e René Silva (@rene_silva_rj), que aos 16 anos foi o criador do @vozdacomunidade, divulgando a visão interna da ocupação do Complexo do Alemão em 2010.

Achados de um cartão antigo: eu com @vozdacomunidade e sua mãe na #cpbr4
Na Campus Party 2011, eu com Renê Silva e sua mãe.

Vale a pena então passear por estes blogs e perfis de adolescentes:

E para inspirar os que são empreendedores e podem até levar a coisa de blogar a sério e construir carreira, alguns nomes que eu conheço há tempo suficiente para saber que estudaram, construiram uma carreira, trabalham duro todo dia e graças ao blog tiveram talentos diferentes reconhecidos garantindo novas (e excelentes) oportunidades profissionais: @santahelena (arquiteta por formação, já foi blogueira de moda, gerente de mídias sociais em agências de publicidade e em 2010 era VJ da MTV), @mbottan (blogueira desde adolescente, estudou jornalismo, foi gerente de mídias sociais em agências e hoje é apresentadora do programa “Vai pra onde?” no Multishow). Antes disso, em 2008, olhem as duas sendo entrevistadas por Dani Suzuki numa Campus Party:

E os empresários de web, de blogs que surgiram na adolescência e hoje são empresas que empregam vários funcionários full time, os “meninos” @mobilon (do @tecnoblog, que tem o outro menino @thassius como braço direito) e @paulolima (do @mundodastribos, que emprega outros jovens talentos, um deles já no seu empreendimento, o @vaicomtudo).

Espero sinceramente que seja inspiração suficiente para esta turminha!

🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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