Blitz documentos (só temos instrumentos) #bookreview

Só hoje, olhando minha estante em redes sociais como Skoob e Good Reads eu vi que não tinha feito ainda a resenha do livro As Aventuras da Blitz, de Rodrigo Rodrigues (que ganhei de presente da Ediouro por conta de um comentário animado num post do Go to Heaven). Fiquei doida quando vi este livro, adorava a Blitz… aliás, desde criança e hoje não me conformo quando penso que meus pais me deixavam ouvir… huahuahua.

as aventuras da blitz

Eram outros tempos, pré-politicamente corretos e com muita história para contar, que finalmente começa a ser valorizada e considerada nas publicações brasileiras. Fico feliz que os livros de história da música brasileira estejam na moda porque eles ajudam a construir a história da nossa cultura. Além de ovacionarmos clássicos da Bossa Nova e as marchinhas de carnaval de Carmen Miranda, o rock pop que surgiu no início da década de 1980 ganha força no mercado editorial.

O que me impressionou neste livro foi o tamanho do acervo, boa parte dele da organizadíssima Fernanda Abreu. Ela cedeu um acervo pessoal incrível, com recortes de jornais, páginas de revistas, ingressos de shows, credenciais, crachás etc.

[livro] As aventuras da Blitz crachas

Nas 300 páginas estão 200 imagens e dezenas de entrevistas desta banda que os especialistas afirmam que “escancarou a porta para o Barão Vermelho, Paralamas, Titãs, RPM e Legião Urbana”. O jornalista Rodrigo Rodrigues conta a mostra a história da banda que não foi levada muito a sério como grupo musical, mas virou mania antes do RPM – e a despeito de suas letras, era adorada especialmente pelas crianças – como eu! Quem viveu os anos 1980 e não falou os bordões “o.k., você venceu” ou “desce dois, desce mais”?

O livro também já veio com controversias. Três integrantes da formação oficial estão brigados com Evandro e se recusaram a dar entrevistas: o guitarrista Ricardo Barreto, sua mulher, Márcia Bulcão, e o baixista Antonio Pedro. E vale a pena porque é real, uma visão de fã sim, mas de um fã tanto da banda quanto do período que retrata, uma fase antológica para a cultura brasileira.

[Aliás, parte disso está contando também, sob outra ótica e endereço (ao invés do Circo Voador surgem bares na região da Consolação) no livro que leio agora, Para sempre teu, Caio F. de Paula Dip (Record). Que época!]

[livro] As aventuras da Blitz gibi

Recomendo a leitura para os que apreciam música, mas igualmente para quem trabalha com marketing, design e tantas outras áreas nas quais eles foram incrivelmente inovadores e inusitados ao lançar discos com capas diferentes, usando linguagem de quadrinhos (e lançando moda), com álbuns de figurinhas para divulgar a banda, sacadas de mídia surpreendentes para os anos 1980 que vinham de didatura militar e de uma “didatura cultural” da MPB e tantas outras aventuras mais. 😉

P.S. Depois de ler o livro, sinceramente, vejo com outros olhos as atuações de Evandro Mesquita na Grande Família (programa de TV que acho excelente, divertidíssimo!) e da Patrícia Travassos no Alternativa Saúde! Como a vida muda, mas as pessoas não deixam de ser quem são, né?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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