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“Misteriosa mulher é encontrada na Times Square, sem quaisquer lembranças de quem ela é e de como chegou ali. As únicas pistas que ela possui são as tatuagens que cobrem todo o seu corpo. Um agente do FBI passa a ajudá-la enquanto buscam a verdade.”

Como disse no primeiro post sobre a série, essa sinopse não me atrai nem um pouco. E acho que não retrata nem parte do que a série é. Por isso, esse é um post com spoilers da duas temporadas… Todo mundo avisado, né?

Aprendemos que Jane Doe nunca foi a mocinha da história – isso se você considerar que o FBI faz parte dos “good guys”, rs – e, polêmicas à parte, descobrir isso não é um choque. Aos poucos fica claro que Jane fazia parte de uma organização terrorista, mas é difícil aceitar que a mulher sem memória que aprendemos a gostar tanto era “do mal” antes. Mais do que falar sobre spoilers, quero levantar a questão: se tivermos nossa memória apagada, quem escolheríamos ser? Temos livre arbítrio? Tudo o que acontece em nossas vidas depende de onde estamos e de com quem nos relacionamos? Ou não importa o que aconteça, nosso destino já está escrito e tudo é controlado?

No colegial, aprendi um pouco – beeeeem pouco –  sobre Determinismo e nunca gostei da ideia, até porque, com 16 anos, a gente realmente quer acreditar que pode escolher tudo nessa vida, né? E que todas as nossas escolhas, são nossas, não dos nossos pais, do meio onde habitamos, das pessoas com quem cruzamos na vida.

“Por determinismo compreende-se um sistema no qual tudo vem a ser por causas anteriores, tornando os efeitos que se seguem destas causas necessários e inevitáveis. Em seu sentido mais amplo o determinismo é o nome moderno para a ideia antiga de Demócrito, de que leis causais controlam o movimento dos átomos e que tudo, incluindo a mente humana, consiste de átomos, em ultima instância. Portanto, tudo seria controlado por tais leis causais.” (Willyans Maciel, em InfoEscola)

Conhecer um pouco mais sobre memórias e escolhas realmente me chama a atenção e o motivo é simples: eu sou MUITO esquecida. De um jeito tão absurdo que mesmo vendo fotos minhas em certos lugares, ou ouvindo minha voz em gravações, eu simplesmente não acredito que eu fui aquela pessoa um dia. E isso que eu nem sou como a Jane Doe, que sabe falar várias línguas e tem diversas outras habilidades.

A Melina, do site Mix de Séries, fez um post super bacana sobre o episódio 04X04 de Orange is the New Black e eu destaco esse trecho para pensar um pouquinho: “Às vezes incomoda esse determinismo exagerado da série, como se as pessoas fossem incapazes de se desvincular das situações, dos meios em que foram inseridas, tampouco buscarem para si outros destinos. É como se as motivações para quem são hoje já estivessem sido postas, sem chances de evolução ou amadurecimento.”

Já assisti Orange is the New Black, concordo com ela e trazendo para Blindspot, fico temerosa… Será que mesmo inserida em outro meio – no caso, FBI, os “good guys” – Jane Doe fará as mesmas escolhas de antes? Uma pessoa sem memória é mais fácil de ser usada? Mais fácil de ser moldada? Quando crianças, até quando o meio em que vivemos influencia nos adultos que nos tornaremos? Talvez eu goste de “viajar demais na maionese”, mas esses são os questionamentos que tenho ao assistir a série. A segunda temporada – exibida atualmente pelo Canal Warner – ainda me faz pensar ainda mais sobre todas essas possibilidades e teorias. Já que temos Roman, irmão de Jane, também com a memória apagada e com dificuldade de se encontrar nesse novo mundo, só que definitivamente sem ser o vilão que parecia ser anteriormente.

jane-e-roman

Criei tantos questionamentos escrevendo esse post e nada estava fazendo muito sentido, precisei consultar a Nívia Gonçalves, colunista do Mãe com Filhos, amiga e psicóloga. Pedi algumas indicações de textos ou livros que falassem sobre escolhas e ela me falou um pouco que acredita na liberdade e segue esse pensamento. Já estamos marcando um encontro – e eu prometi não abusar do fato dela ser psicóloga – para que eu possa explicar melhor para ela todos esses questionamentos que foram levantados 🙂 Quem sabe não sai um outro post depois do café?

Blindspot – obviamente – pode ser assistido sem grandes pretensões. Eu que sou a louca dos seriados e faço pesquisa até sobre Friends, se for necessário. E como boa curiosa, gosto sempre de pesquisar teorias, referências e faço isso com seriados, filmes, livros e até depois de uma conversa com amigos. Como diz um amigo, “para de dar Google em tudo, Sara!”. Mas eu não consigo 😛

Até semana que vem, pessoal!

(Blindspot é uma produção da NBC, dos Estados Unidos e no Brasil você pode acompanhar pelo Canal Warner às terças à 0h20.)

PS: E já com o texto pronto para ser publicado hoje, imagina meu susto ao ver o tema do Nerdologia que saiu ontem? Determinismo!

Fala sério, né?

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Sara Martinez, 30 anos, jornalista, cristã, “mãe” do cachorrinho Billy. Escreve sobre o amor que sente por São Paulo no @pelocentro, onde compartilha dicas da cidade juntamente com sua irmã. Gosta de desenhar palavras coloridas no @fasesinfrases. É maratonista profissional de seriados no Netflix, inscrita em mais canais do que consegue assistir no YouTube e leitora apaixonada. No Twitter e Instagram: @sarafcmartinez.

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