Aventuras urbanas numa manhã de domingo: cerca de 30km de bicicleta no centro de São Paulo

Direto do álbum: eu na minha bike no Japão (passeando em Toyohashi)

Eu sempre falo do uso de bicicleta como alternativa para o transporte urbano citando minha experiência como moradora de Tokyo. Megacidade, a capital do Japão é uma daquelas cidades antigas (como Amsterdã, na Holanda, por exemplo) nas quais os veículos de tração humana ainda têm espaço no cotidiano. Minha opinião é de que, mais do que afeitas a este transporte por conta de investimentos públicos (em ciclovias e faixas próprias para os ciclistas), há em cidades assim uma “cultura do uso” da bicicleta.

Aqui ainda lutamos por uma “cultura da inclusão” porque a bicicleta, que caberia tão bem em muitos espaços urbanos do país, ainda é vista com preconceito. Em cidades menores usar bike no dia a dia é coisa de “pobre” (e é sim, repara em quem usa para as compras em cidades como Paranguá, PR, por exemplo) ou coisa dos “novos bichos grilos meio ecochatos”, no caso das cidades grandes. Além destes alternativos, há quem tenha morado no exterior, como o ex-jogador de futebol Raí, e na volta tenha mantido o hábito (para quem não sabe, Raí usa bike e metrô, não tem mais carro).

O fato é que no Brasil, infelizmnete, ainda não há uma cultura que inclua a bicicleta simplesmente porque ela é boa, prática, barata e divertida.

Sim, andar de bicicleta é das coisas mais divertidas da infância. Levante a mão quem já brincou muito de bike e tem nas quedas e aventuras com a magrela parte de seus momentos mais felizes.

[ o/ eu tive!]

Mas conforme crescemos a bicicleta vai sendo deixada de lado, fica lá no canto da garagem e vira algo que a gente vai usando pouco, até deixar por completo. Embora a gente sonhe com aquela cena de filme infantil de ir para aula usando a bicicleta com capacete próprio, poucos pais permitem esta aventura aos seus filhos e com isso vamos separando o prazer da bike das obrigações cotidianas.

Incluir a bike numa pequena compra (o pão, o leite, uma passadinha no mercado) pode ser a solução para voltarmos a usar este transporte como utilitário depois da infância. Mas há muitos riscos e é preciso saber estar no trânsito.

Depois do (único) pit stop do passeio, voltando a pedalar na Av. Nove de Julho. Clique da @smiletic.

😉

Ontem eu tive o prazer de percorrer pouco mais de 25 km no centro de São Paulo e ver paisagens diferentes, que já conhecia passando rápido de carro, redescobrindo-as com o olhar do ciclista. E também tive uma aula prática de como se comportar (pelo menos em grupo) em meio do trânsito ao participar do Passeio ciclístico Um ano de Felisa, que comemorava o primeiro ano da bicicleta elétrica da Porto Seguro no Brasil. O grupo (bem grande, mas que eu não saberia mensurar) era composto de usuários da Felisa, jornalistas, funcionários e corretores de seguro  e tinha duas blogueiras (sim, creio que éramos as únicas): eu e @smiletic.

Saímos às 9h10 da Rua Guaianases, 1.224 (Campos Elíseos, no centro velho de São Paulo) e só retornarmos às 12h30, hora em que @gnsbrasil tirou esta foto nossa!

Eu e @smiletic chegando do passeio ciclístico Felisa ontem (em 3h fizemos 25km de bicicleta no centro de São Paulo)

A Simone, que se prepara para ser uma das pedalinas (já falei deste coletivo de ciclistas urbanas aqui), traçou nossa rota em tempo real usando o aplicativo Social Bike da Yahoo que eu mostro abaixo:

Na rota diz 36 km mas creio que ficamos pouco acima dos 25 km planejados. Simone falou que ainda há discrepâncias no sistema, que no Ipod marca de um jeito, no Iphone de outro...

Uma insanidade né? Vai e vem no meio da cidade que eu nem pensaria que tinha condições de encarar, mas que me mostrou que meu condicionamento físico é bom e que daria sim para voltar a encarar a bike no dia a dia, para muito além dos momentos em que os filhotes aprendem a usar a “amiga”!

Modelos de Felisa em foto da @smiletic: andamos na maior (que pesa 32kg), mas o ideal para nossa estatura (1,50m) seria a pequena, de menos de 15kg.

E para isso, admito: uma Felisa seria muito bem vinda à família. A bateria elétrica tem autonomia para 16km. Usei pouco disso, mas já na primeira subida senti para que ela serve: manter o fôlego do cicilista em bom estado para o passeio como um todo. Basta uma aceleradinha e 50 ou 100m de subida íngreme são vencidos (ou você atravessa as ruas com mais agilidade, sem incomodar no trânsito). E não pensem que eu abusei do efeito “moto” da bike: subi a Henrique Schaumann, em Pinheiros, sem usar motorizinho.

Minha ideia (endossada por @smiletic, que mora em Perdizes e trabalha na Paulista) cabe exatamente no conceito da Felisa:

“Lançamos a ‘Felisa’ para propor uma nova solução de mobilidade nas cidades. Queremos comemorar um ano de uso da bike elétrica, tanto em serviços oferecidos pela Corporação quanto pelos clientes, de forma a reforçar essa proposta e incentivar a prática de atividades físicas no dia a dia”, afirma o vice-presidente executivo da Porto Seguro, Fabio Luchetti. “Sabemos que a cidade de São Paulo, por exemplo, possui uma topografia complicada, por isso a bicicleta elétrica é uma ótima opção, principalmente para aqueles que a utilizam para ir trabalhar ou durante a própria atividade profissional”.

E você, encararia esta troca de motores?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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