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Ao tomar posse de seus cargos, os políticos recebem vale-transporte válido para ônibus, trem e metrô e nada de carro oficial!

Deveria ser aqui no Brasil e em muitos países, mas infelizmente não é – ainda!

Mas na capital da Inglaterra, todos os vereadores e até o prefeito são proibidos de ter automóveis pagos com dinheiro público. Táxis também não são liberados. Para serem reembolsados quando optam por este tipo de serviço, os políticos precisam provar que não tinham outra opção de deslocamento para ir ao lugar que precisavam. Motoristas então? Nem pensar!

Assim que tomam posse eles são avisados das regras oficiais da Assembleia de Londres, a ‘Câmara dos Vereadores’ da cidade britânica, que afirma que “o prefeito e os membros da London Assembly têm o compromisso de usar o transporte público“.

boris johnsons prefeito de londres e as rotas de bike na inglaterra

O prefeito Boris Johnson, no comando do governo de Londres desde 2008, é um dos que menos utiliza o serviço. Pode ser jogada de marketing, mas como não simpatizar com o fato de que ele aproveitou a norma que o proibia de ter um carro oficial e atrelou sua imagem ao cicloativismo?

Dizem que ele é constantemente visto pelas ruas da cidade pedalando de capacete – ao vivo e também nas propagandas do programa de aluguel de bikes que ele mesmo criou para desincentivar o uso do carro para deslocamentos diários.

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Se a gente começar a acompanhar direito a parte administrativa da política e as decisões mais corriqueiras dos nossos órgãos governamentais, podemos até chegar neste ponto – ou pelo menos nos indignar e forçar uma mudança sobre a quantidade de combustível que cada gabinete de deputado tem direto, né?

(ouvi dizer que na ALESP, em São Paulo, cada gabinete tem direito a 7 tanques de combustível – por dia!)

Visto na Avenida Cândido de Abreu.

Posted by Humans of Curitiba on Quinta, 30 de abril de 2015

No meu Paraná – nesta semana tão castigado pelo abuso de poder contra os professores – a atual gestão da prefeitura reforçou uma tendência que já existia: a de estimular o ciclismo urbano com ciclovias, respeito ao ciclista e estímulo à prática. Ao tomar posse, em janeiro de 2013, o atual prefeito, Gustavo Fruet foi pedalando, ao lado da esposa Márcia Oleskovicz e ciclistas, em direção à Camara Municipal para a cerimônia.

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Ainda antes de ser eleito, em entrevista ao Ir e Vir de Bike, Fruet justificara a importância do ato simbólico:

“É preciso mostrar que aquilo é pra valer. Eu sei que isso dá margens para todos os tipos de reação, mas é importante, é necessário, é um gesto estimular transportes alternativos.”

Este é um gesto importante que enche de esperanças quem compartilha o sonho de uma cidade mais amiga das bicicletas.

Mas todo esse simbolismo deverá ser transformado em ações efetivas durante o mandato, que garantam um sistema cicloviário seguro e integrado e a retomada da Curitiba que já foi exemplo para o Brasil e para o mundo nas áreas de mobilidade urbana e sustentabilidade e motivo de orgulho para os curitibanos.

Como disse Alexandre Costa Nascimento:

“Transformar essa ação simbólica em rotina – nem que seja uma vez por mês – e exigir que os responsáveis pelas áreas de planejamento urbano, trânsito e mobilidade façam o mesmo terá grandes efeitos na forma como a administração pública pensa e planeja a cidade.”

E o assunto do começo do post – o dos políticos usarem transporte público, assim como usarem saúde pública e escolas públicas – têm este significado: entender como anda o serviço, testar e aprovar/reprovar, saber como está de fato funcionando aquilo que você se propõe a cuidar, gerir, representar.

Nas eleições surgiram muitas promessas – reunidas na “Carta Compromisso – 10 Pontos para uma Cidade Ciclável” – com pedidos importantes, como a implantação de um sistema cicloviário nas vias estruturais da cidade (paralelo às canaletas do ônibus expresso); a criação de campanhas educativas permanentes, acompanhadas de efetiva fiscalização da Secretaria de Trânsito (Setran) em casos de descumprimento do Código de Trânsito Brasileio; e, a criação de um departamento de mobilidade não-motorizada na Setran, para servir de eixo de formulação e implantação de políticas públicas de mobilidade. O plano de governo do candidato eleito previa inclusive a implantação de 300 quilômetros de infraestrutura cicloviária na capital paranaense, além da criação de rotas para pequenos deslocamentos dentro dos bairros.

Mas, pelo que li aqui, a coisa não está fluindo tão bem quanto gostariam!

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Se cumprida a meta, somada à recuperação dos 118 quilômetros que existiam em 2012, Curitiba poderia chegar em 2016 com cerca de 420 quilômetros de infraestrutura cicloviária; índice comparável ao da cidade de Bogotá, capital da Colômbia, que se tornou referência na área de mobilidade urbana.

Continuo torcendo por isso 🙂


Comments

  1. Eu super concordo. Só é possível legislar sobre o que se conhece.

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