Eu quero minha biblioteca e o direito à universalização do conhecimento em escolas

canto de leitura samegui
Como é o canto de leitura aí na sua casa? Por aqui, felizmente, temos vários! Este da sala é meu favorito, por conta da luz natural (as janelas fazem um canto onde bate sol de manhã) e por ter minha cesta de revistas. O direito à biblioteca é tema do meu post de hoje.

Eu já brinquei que a Biblioterapia é a verdadeira panaceia (o remédio universal para todos os problemas!) e continuo militando para que esta salvação alcance a todos.

Há um ano eu convidava os leitores do blog a conhecerem a campanha Eu quero minha biblioteca e a atuarem como agentes de mudança usando a melhor arma para isso: o conhecimento. Neste começo de ano letivo fiz minha parte, de novo: doei uma caixa grande de livros interessantes e DVDs (com documentários) para a escola dos meus filhos. E, ao oferecer a doação aos donos da escola, ambos professores com décadas de experiência em educação, ouvi algo que me surpreendeu:

“Aceitamos os livros, mas preciso explicar que aqui não temos uma biblioteca formal. Os livros ficam disponíveis em estantes pequenas nos corredores e os alunos podem levar e trazer livremente.”

OMG!

Isso é lindo!

Quem precisa de bibioteca formal quando o objetivo deste espaço está tão bem resolvido? O que realmente importa é o direito à universalização do conhecimento.

Dias depois, soube da nova fase da campanha Eu quero minha biblioteca, que esmiucei em detalhes no post “Na volta às aulas: como anda a biblioteca da escola do seu filho?” e descobri que neste ano eles militam exatamente neste sentido. Ainda na linha de “chamar a atenção e mobilizar a sociedade em favor da implantação e manutenção de bibliotecas em todas as escolas públicas e particulares do Brasil, o Instituto Ecofuturo reformulou a comunicação da Campanha “Eu quero minha biblioteca” e o legal é que esta mudança ocorreu depois de pesquisas realizadas com os públicos de interesse, parte delas  nas redes sociais. 

eu quero minha biblioteca na escola

A ideia é informar, inspirar, orientar e apoiar pessoas a atuarem pela universalização de biblioteca em escola e a efetividade da Lei 12.244/10. No mapa  para inscrições, os internautas podem indicar em qual escola de sua região não há biblioteca e a cada dez cadastros em uma mesma localidade, o site enviará automaticamente um e-mail para a Prefeitura e/ou Secretaria de Educação do Município. Para apoiar a participação da sociedade na causa, o site traz um passo a passo da sociedade civil  orientando quais ações devem ser realizadas para interagir com a escola e o Poder público em prol de biblioteca e o  Guia para gestores públicos  informando sobre as fontes de recursos existentes para a educação que podem ser acessadas para a implantação  de bibliotecas em escolas, e chama a atenção para a  importância em incluir a criação e manutenção delas no orçamento do município. 

Parece que é uma luta quixotesca? Para alguns pode parecer, afinal, que jovem estudante vai querer ler num mundo tão digital e no qual os jogos eletrônicos e a TV emburrecem a todos desde a mais tenra infância?

Discordo veementemente desta visão negativa e, como sempre digo, estou mais para integrada do que apocalíptica.

Felizmente parece que estou certa!

O pessoal do Eu quero minha biblioteca contou que foram conferir nas redes sociais quem falava sobre biblioteca, leitura, literatura e a lei 12.244/10 e tiveram uma grata surpresa: a maioria desse público é formado por jovens entre 15 e 20 anos. Sim, os jovens reconhecem a importância da biblioteca, tem uma opinião acerca do que não está bem, entendem que o tipo de atendimento atual precisa de mudanças para atender seu objetivo que é promover leitura de qualidade e apoiar a formação do leitor competente, sem o quê não é possível melhorar a qualidade da educação.

E tem mais acerca dos benefícios de uma biblioteca viva e de qualidade para  uma comunidade.

Segundo dados do SAEB 2003 (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) para alunos da 4ª série (atual 5º ano),  há maior proficiência em leitura quando até 25% dos alunos da escola fazem uso da biblioteca e esse número aumenta quando mais de 75% dos alunos a utilizam regularmente. Quando a biblioteca escolar tem um responsável, a média aumenta, e, quando os professores realizam atividades dirigidas nesse ambiente, há ganhos importantes e significativos na aprendizagem. O levantamento realizado sob a coordenação do pesquisador do IPEA  Ricardo Paes de Barros, para o Ecofuturo, feito com 55 bibliotecas do Programa Ler é Preciso – implantadas pelo Instituto com parceria técnica da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – em municípios dos estados da BA e PE, mostra a  elevação de 156%  do progresso natural de aprovação escolar e redução de 46%  na taxa de evasão escolar em comparação com regiões que não possuem bibliotecas do Programa na comparação com aqueles que não contam com uma. 

As bibliotecas em escolas são fundamentais para atingir a Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE): elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para noventa e três vírgula cinco por cento até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional.

O acesso universalizado aos livros, que se dá via as bibliotecas, contribui para que esse objetivo seja atingido uma vez que torna o ato de ler mais democrático.

Sobre a campanha

“Eu quero minha biblioteca” é uma iniciativa do  Instituto Ecofuturo baseada numa coalizão que envolve a Academia Brasileira de Letras, o Conselho Federal e de Biblioteconomia, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A, Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação, Movimento Por um Brasil Literário, Rede Marista de Solidariedade e Todos Pela Educação. A campanha conta com  patrocinio da Valmet e apoio para  divulgação do Programa Jornal e Educação, da Associação Nacional de Jornais e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.

Sua cidade não tem nem mesmo biblioteca pública municipal? Avise aqui e reinvindique uma!

E se você não sabe se sua cidade tem ou não bibliotecas públicas, confira nesta lista as que já estão atendendo adequadamente seus cidadãos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.