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“Dois anúncios de cosméticos que usavam fotos alteradas por computador foram proibidos na Grã-Bretanha sob a acusação de que eram ‘enganosos'”
BBC

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Hoje cedo me deparei com uma notícia de que na Inglaterra anúncios de cosméticos antiidade foram “barrados” por conterem propaganda enganosa (e muito Photoshop). Na hora pensei: quero ver a regulamentação da propaganda no Brasil chegar a este ponto!

Tem regulamentação melhor do que aquela que exige que se comprove o que se promete? Pois nós temos uma lei no Brasil que nos defende da propaganda enganosa, mas creio que poucos sabem usá-la – eu mesma, apesar de ter trabalhado na assessoria de imprensa do Procon, nunca tinha feito esta correlação do excesso de manipulação digital nas fotos de artistas com a cobrança de que os efeitos prometidos pelos cosméticos funcionassem de fato com uma “propaganda enganosa”.

São direitos básicos do consumidor estabelecidos pelo artigo 6º da lei nº 8.078, de 11 de Setembro de 1990:
(…) IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;

Neste caso, ainda tem um plus: a argumentação de que “poderiam contribuir para problemas com a autoimagem dos consumidores” e de que “deveríamos ter alguma honestidade nos anúncios publicitários“.

O parlamentar inglês que fez a denúncia de propaganda enganosa lembrou que

“Há um quadro mais abrangente, em que metade das mulheres jovens, entre 16 e 21 anos, que dizem que consideram fazer cirurgias cosméticas e estamos vendo o número de distúrbios alimentares mais do que dobrar nos últimos 15 anos”.

Segundo entendi, o parecer que considerou os anúncios com retoques exagerados de Photoshop “propaganda enganosa” o fez porque as empresas não conseguiram provar que os benefícios indicados na divulgação que acompanhava as fotos eram realmente factíveis para as consumidoras. Daí que o discurso que promovia uma base “anti-envelhecimento”, foi alterado para “clarear a pele, limpar a maquiagem, diminuir sombras escuras ao redor dos olhos, deixar os lábios mais lisos e escurecer as sobrancelhas”.

Vocês acreditam que juntos, atuando de forma mais ativa ao exigir nossos direitos, alcançaremos este estágio de cidadania?

P.S. Se os temas lhe interessam recomendo pensar no Conar e o risco da autorregulamentação e no meu review do livro-estudo de Raquel Moreno A Beleza Impossível – Mulher, Mídia e Consumo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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