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Evitei a cabine de imprensa para poder ver Batman X Superman – A origem da justiça com @os2nerds. Valeu a pena, foi mais divertido com meus adolescentes opinando e se emocionando com os quadrinhos que eu lia nos tempos da faculdade.

Não sei se consigo evitar totalmente spoilers, mas vou tentar:

A produção é estilo Gotham, apesar de se passar majoritariamente em Metropolis (e parte em D.C., a capital americana).

  
Definitivamente não é um filme para crianças, não tem cenas de sexo, mas há muita violência e os pesadelos de Bruce Wayne são de fazer o coração saltar da boca.

Se eu disser que Ben Affleck e Henry Cavill estão incríveis em atuação, será uma mentira. Mas convencem como Bruce/Batman e Clark/Superman, em versões mais pesadas do que estamos habituados – especialmente o Homem de Aço, que não é mais atrapalhado ou assexuado (ufa!).

  
As mocinhas, Gal Gadot e Amy Adams estão bem como Mulher Maravilha e Lois Lane. Também nada extraordinário, mas, convincentes o para quem via Liga da Justiça nos anos 1990/2000.

  
Diana é a liga e tem a “sabedoria grega” que falta no começo aos dois maiores heróis da D.C. Comics. A aparição dela com a fantasia foi um momento mágico para mim, no segundo exato para a trama! 

  
Jesse Eisenberg faz praticamente uma homenagem a Heath Ledger com seu Lex Luthor, num papel que nos faz esquecer que Kevin Spacey foi o último a viver o vilão. Tem uma insanidade naquele garoto que deve ter sido o fator que o fez combinar tanto com o papel de Mark em A rede social.

  
Jeremy Irons é o melhor Alfred já visto. É quem traz alguma leveza (afinal, não há piadas ou brincadeiras no Universo DC e os habituados com os heróis Marvel se ressentem) e sua personalidade toma as cenas.

  
Holly Hunter, Laurence Fishburne e Diane Lane, respectivamente a senadora que quer notoriedade criticando heróis (oi, X-Men?), o editor chefe do Planeta Diário e a mãe adotiva de Clark Kent estão tão meia boca que deprimiria – se eles tivessem muitas falas, claro. São coadjuvantes de luxo, em papéis que passariam facilmente por participações especiais, como faz Kevin Costner, como pai adotivo de Clark. 

  
Li uma crítica que chamava a direção de Zack Snyder (famoso por 300) de fraca. “A obsessão de Snyder pelo superlativo e pelo artificial fica longe de tirar o máximo que Batman e Superman podem oferecer”, diziam Bruno Araujo e Cesar Soto.
  

Pode ser, mas que filme de super herói foge disso? Nem Birdman! Senti que também, como no filme dos quadrinhos de Frank Miller, havia a clara preocupação de manter a estética e as cenas emblemáticas das histórias. Isso pode ser bonitinho, mas trava um pouco a produção.

  
Baseado nos personagens Superman e Batman da DC Comics e distribuído pela Warner Bros. Pictures, é o segundo filme do Universo Estendido DC, franquia de cinema e um universo ficcional compartilhado que é o cenário de filmes de super-heróis produzidos pela Warner Bros., baseados em personagens que aparecem em publicações da DC Comics. O universo compartilhado dos filmes, muito parecido com o Universo DC nos quadrinhos, foi criado para cruzar elementos do enredo comuns, configurações, elenco e personagens.

  
Veja os títulos do Universo DC: Homem de Aço (2013), Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016), Esquadrão Suicida (2016) e Mulher-Maravilha (2017), The Flash (2018), Aquaman (2018), Shazam (2019), Ciborgue (2020), Tropa dos Lanternas Verdes (2020), além de Liga da Justiça (em duas partes, 2017 e 2019).

Como já disse aqui outro dia, espero honestamente que essa concorrência de heróis seja boa e que os consumidores de cultura (nós!) saiam lucrando 🙂

  
Acho que os dois são órfãos tristes. 

Batman é agressivo e defensivo porque viveu um trauma assustador para uma criança pequena: ver os pais serem assassinados a sangue frio, na rua, depois foi criado na opulência material, mas sem construir relações de afeto que lhe dessem uma base emocional segura.

Superman anseia constantemente pela aceitação social e o desejo de ser normal, aceito, fazer parte de um grupo que não é o seu natural. Perdeu os pais praticamente no nascimento e foi adotado já maiorzinho, recebeu amor dos pais adotivos mas sempre foi alertado para as diferenças que deveria esconder. 

Ambos vivem a angústia do vazio emocional, Clark apegando-se na única pessoa que o vê como humano e o venera como herói (Lois faz exatamente isso, quase sempre) e Bruce tenta evitar todos os crimes no fundo para defender o menino que foi, desejando que a tecnologia e a inteligência humanas avancem o suficiente para lhe dar o que nenhum dinheiro compra: uma solução para a morte.

Nestes dois personagens, pilares da DC Comics, está a maior diferença com sua “rival” Marvel, que vive da fé na humanidade: os personagens são densos e frutos dos nossos maiores medos humanos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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