“Bandido bom é bandido morto”, diz o cara que infringe leis o tempo todo…

“Bandido bom é bandido morto”, diz o cara no Facebook, enquanto baixa um filme e um software da internet (art. 184 do Código Penal),após dividir uma cervejinha com seu irmão de 17 anos (art. 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente), lembrando da festa de ontem, na qual fumou um baseado com os amigos (art. 33, §3º da Lei n. 11.343) e, mesmo bêbado, conseguiu dirigir (art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro). Daqui a pouco ele tem que alimentar o curió que tem na gaiola e comprou de um criadouro sem licença porque é mais barato (art. 29, § º, III da Lei de Crimes Ambientais). Depois vai ao cinema e, como já é formado, coloca o seu nome no atestado de matrícula da UFSC pra pagar meia entrada (art. 299 do Código Penal), enquanto vai comentando nas redes sociais que ladrões devem ser espancados até a morte (art. 286 do Código Penal).”

Vi este texto num update de uma das colaboradoras do blog e foi impossível não reagir concordando que é exatamente esta falta de coerência que atrapalha dos avanços da nossa sociedade. E a frase me lembrou uma imagem (pesadinha, tanto quanto o texto) que vi numa comunidade do Google+ e que dizia que em matéria de corrupção o Brasil é ambidestro.

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Triste, mas verdadeiro, tanto quanto este possível dia do cara que critica os bandidos enquanto comete diversas infrações leves e, por isso, perdoáveis.

Me pergunto: não serão justamente os crimes de colarinho branco sem punição na nossa sociedade o que causa indignação e revolta de quem não tem acesso a tudo? A Lei de Gerson não nos conduz a uma realidade na qual parece que o jeito é garantir o nosso porque “farinha pouca, meu pirão primeiro”?

Curiosidade: você sabe de onde surgiu a expressão Lei de Gerson?

Lei da Vantagem ou Lei de Gérson é um princípio em que determinada pessoa ou empresa deve obter vantagens de forma indiscriminada, sem se importar com questões éticas ou morais, que acabou sendo usada para exprimir traços bastante característicos e pouco lisonjeiros do caráter midiático nacional que passa a ser interpretado como caráter da população, associados à disseminação da corrupção e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens. 
A expressão originou-se em uma propaganda de 1976  que apresentava o meia armador Gérson da Seleção Brasileira de Futebol como protagonista, associando sua imagem como “Cérebro do time campeão do mundo da Copa do mundo de 70” e afirmando: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve [o cigarro] Vila Rica!”.

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Ao ver este post, @alinekelly me lembrou da campanha contra corrupção da Controladoria Geral da União, muito bem resumida na imagem:

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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