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foto da baia de guanabara durante as olimpiadas

Em agosto de 2016, os olhos do mundo se voltaram para a Baía de Guanabara. Infelizmente, desta vez não se via só a paisagem linda que Tom Jobim imortalizou no Samba do Avião com versos que diziam “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro” ou que a Bossa Nova cantou no “barquinho a navegar, no infinito azul do mar”.

Como quando olhamos as manchas da idade, do sol ou da acne nos rostos que vivem uma vida intensa, nosso mar foi mostrado com lupa e, ao mostrar como os atletas competiam ao ar livre, junto da vitória de Poliana Okimoto, Martine Grael e Kahena Kunze, de Izaquias Queiroz e Erlon de Souza, o mundo viu como temos que trabalhar para resolver questões básicas como o saneamento e tratamento de esgoto.

Canoagem Velocidade - Isaquias Queiroz e Erlon de Souza Foto: Danilo Borges/Brasil2016.gov.br

O fracasso na meta olímpica de despoluir 80% da Baía de Guanabara, constatado antes mesmo da Cerimônia de Abertura da Rio 2016, pode ter sido uma das maiores decepções desta edição dos Jogos. As medidas paliativas, com a instalação de ecobarreiras, no entanto, foram vistas como um sucesso pela Secretaria Estadual do Ambiente. Ao longo do mês de agosto deste ano, foram recolhidos 31 toneladas de lixo flutuante das águas e o secretário da pasta, André Correa, disse que a operação “funcionou perfeitamente”.

um bilhão de dolares e conitnua tudo imundo baia de guanarabara

Autoridades estaduais avaliam que o problema da poluição da Baía pode levar 20 anos e pedem apoio da iniciativa privada.

Li uma  com o biólogo Mario Moscatelli, que estuda a baía de Guanabara e exige sua recuperação há mais de 20 anos. Perguntaram para ele:

– Qual é o problema da Guanabara: o despejo constante de resíduos ou a impossibilidade de limpar a baía?

Ele explicou:

Não é impossível tecnicamente, o que falta historicamente é uma gestão competente do poder público. No meu entender, faltam ações de curto e longo prazo para recuperá-la. No curto prazo, instalar unidades de tratamento nos rios, que hoje são avenidas de lixo, para blindar a baía, e também limpar seriamente praias e fundos. Isso leva uns dois anos. No longo prazo, cerca de 20 anos, poderiam ser implantadas políticas públicas de moradia, transporte e saneamento em todos os municípios vizinhos. Mas, infelizmente, não vejo na cultura política brasileira essa estratégia de longo prazo. A recuperação da baía não ocorreu porque os políticos se beneficiam de sua degradação: a cada certo período de tempo recebem recursos milionários para sua limpeza, mas não gastam com responsabilidade. A baía de Guanabara degradada é uma mina de ouro para gestores acostumados à impunidade.

Um ano antes do início da Olimpíada, especialistas ouvidos pela Associated Press já haviam afirmado que os atletas tinham grandes chances de contrair doenças. Naquele mês, atletas também passaram mal em evento-teste no Rio.

Ele está fazendo uma palestra hoje no Rio e eu iria se morasse por lá.

Creio que o maior problema é o que virá depois das olimpíadas, né? A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo, bairro querido do Rio, de onde vemos a famosa Lagoa Rodrigo de Freitas, divulgou um alerta:

Os ambientalistas são unânimes ao afirmar que o projeto do Governo do Estado de despoluir a baía em 80% foi superestimado e com a crise não há outra alternativa que não seja a participação da iniciativa privada.

“Foi uma meta muito ousada que efetivamente contribuiu nesse erro de comunicação. Metas muito ousadas geram muita expectativa. Do ponto de vista orçamentário, não há recurso. Recurso empregado hoje é emprestado do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para questões de longo prazo não vejo outra alternativa que não sejam as parcerias público-privadas”, afirmou o secretário.

Correa disse que o projeto é de longo prazo: ao menos 20 anos. “Só vai ter baía despoluída quando tiver todos municípios do entorno saneados, como São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu”.

Quer saber mais? Veja o vídeo abaixo, de um encontro da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que tratava da bacia hidrográfica fluminense e entenda a gravidade da situação da Baia de Guanabara. Como diz uma das entrevistadas, as coisas só vão mudar se ficarmos de olho!

 


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