Quando as vítimas de assédio são vistas e ouvidas 

Uma mulher segura um cartaz durane protesto contra o assédio às mulheres no metrô na estação da República, no centro de São Paulo (Foto: Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)

Dados dão conta de que a cada dois dias, uma mulher registra um boletim de ocorrência por assédio na Companhia do Metropolitano (Metrô) e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Dois em cada três casos (69%) aconteceram nos horários de pico.

O levantamento é do Estadão, feito por meio da Lei de Acesso à Informação, e mostram que de janeiro a agosto de 2015 foram registrados cem casos de assédio sexual. No mesmo período do ano passado, foram 65, num aumento de 53%.

Os números podem até ser menores que a realidade, pois muitas não denunciam o assédio.

Quer entender como isso acontece?

  • Entre as vítimas que procuraram a polícia, há mulheres de 11 a 57 anos que relataram ter sido perseguidas, ameaçadas, agredidas, apalpadas e filmadas. Há ainda registro de homens que se masturbaram e ejacularam na roupa das vítimas e até mesmo um caso de estupro.
  • Além de acontecer em horários de maior circulação e nas linhas com o maior número de passageiros – Azul e Vermelha concentram 84% dos registros –, mesmo acompanhadas, as mulheres não estão seguras. Há relatos de crimes sexuais em que as vítimas estavam com a mãe ou com o marido.

Felizmente, nem todas se calam. E os passageiros, os funcionários do metrô e a sociedade tem que aprender a reagir junto!

Foi o que aconteceu na semana passada em São Paulo. Uma notícia do SPTV relatou um caso que merece destaque:

 

Um homem foi preso em flagrante na noite desta terça-feira (22) após abusar sexualmente de uma passageira na Linha 1- Azul do Metrô, em São Paulo. O caso ocorreu por volta das 18h40, entre as estações Tiradentes e Armênia. A vítima pediu ajuda a um policial militar que estava no vagão e o suspeito de 25 anos foi detido e encaminhado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). A mulher, de 33 anos, disse que o agressor se esfregou nela quando o trem estava parando na estação Armênia na noite de terça-feira (22/09/2015). O homem conseguiu descer do vagão, mas não foi longe.

“Ela preferiu descer [do metrô] e interpelá-lo: ‘olha, você está me abusando etc e tal’.

Foi quando os passageiros do próprio vagão se deram conta e chegaram a agredir o indiciado”, afirmou o delegado Marcos Vinicius Reis. Um policial militar que estava no vagão prendeu o agressor, de 20 anos, que negou o crime. Para a polícia, as marcas de sêmen na mochila da vítima, na roupa dela e na roupa do agressor comprovam o abuso. O homem irá responder pelo crime de violação sexual, sem direito à fiança.

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E tem que ser assim mesmo. Sozinha ou com apoio de quem estiver testemunhando ou apenas estiver próximo, a vítima deve reagir para coibir este comportamento. E ir além, se precisar, acionar judicialmente a empresa de transporte que deveria lhe garantir segurança. Sabiam que em julho de 2015, uma vítima ganhou ação na Justiça uma indenização de R$ 20 mil por assédio na Linha 1-Azul do Metrô? Pois é, uma voz que não se calou.

As queixas de abuso no Metrô são constantes. No começo de abril, o Metrô lançou uma campanha “Você não está sozinha” contra o assédio sexual e divulgou um número de celular para os usuários poderem fazer denúncias, que podem ser feitas desde o ano passado por meio do SMS-Denúncia. O número é (011) 97333-2252.

(Crédito das fotos: Cartaz da campanha “Voce não está sozinha” e foto de Dario Oliveira de uma mulher segura um cartaz durane protesto contra o assédio às mulheres no metrô na estação da República, no centro de São Paulo)

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.