As Vantagens de Ser Invisível: as pessoas têm o amor que elas acreditam merecer

“Eu preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem.
Acho que, de todas as pessoas, você entenderá, porque acho que você, entre todos os outros, está vivo e aprecia o que isso significa. Pelo menos eu espero que seja assim, porque os outros procuram por você em busca de força e amizade, e é tudo muito simples. Pelo menos foi o que eu soube.
Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

Se você se identificou ou relembrou da adolescência, deveria prestar atenção em As vantagens de ser invisível.

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Muitas situações comuns na fase pré-adulta estão lá, retratadas nos personagens que no cinema foram interpretados por nomes bem conhecidos do público: Logan Lerman (Charlie), Emma Watson (Sam) e Ezra Miller (Patrick) no elenco, além de Mae Whitman (Mary Elizabeth), Nina Dobrev, Paul Rudd, Dylan McDermott e Kate Walsh.

(Como telespectadora de Grey’s Anatomy e Private Practice , foi curioso ver Kate como mãe! Mas o estranho mesmo foi ver Dylan como um pai legal!)

As Vantagens de Ser Invisível (no original The Perks of Being a Wallflower) é um livro de Stephen Chbosky, classificado como “uma estreia literária profundamente íntima e cheio de metalinguagem”.

A obra retrata o primeiro ano de um garoto de 15 anos no Ensino Médio, suas inseguranças, descobertas.

A história: Charlie muda de escola enquanto se recupera de uma depressão com tendências suicidas e da perda de seu único amigo. No colégio, porém, começa sua jornada de socialização, de crescimento e recuperação com a inadvertida ajuda de dois veteranos, Patrick e Sam, que o recebem em seu mundinho à parte, cheia de afeto, mas fora do padrão.

Neste comeco da adolecência, entre 13 e 15, é que a gente realmente começa a ter força pra pensar for da caixinha, tanto a que os pais e irmãos mais velhos nos deram sempre, quanto a que a escola e os amigos de infância nos condicionam para fazer parte. Emociona e identifica nele o jeito de ser único que nós buscamos para sempre, não importa a idade.

Há também o clichê da adolecência: a trinca amigos, sexo e drogas, tudo no estereotipado cenário americano de cheeleaders loiras + atletas + nerds. Mesmo assim fazemos parte do universo tímido e intimista de Charlie. Nós nos sentimos infinitos no romance epistolar, escrito na forma de cartas que Charlie manda a um anônimo. Quem nunca contou suas histórias para alguém que era ninguém?

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Quem nunca quis encontrar uma pessoa que te ouviria e entenderia e que não tentaria dormir com aquela outra pessoa? Juntamente com Sam e Patrick, seus dois novos melhores amigos, Charlie é introduzido a um mundo repleto de possibilidades e mudanças, passando por labirintos e descobertas.

O jeito como Charlie sofre, se alegra ou se surpreende é ao mesmo tempo tão universal e tão próprio, que o leitor não tem alternativa a não ser viver aquilo tudo.

E é como uma das falas do personagem:

“É estranho porque às vezes eu leio um livro e acho que eu sou uma das pessoas no livro.”

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Recomendo muito para você que gosta de reviver esta fase ou está precisando pensar se caminhou no sentido que queria.

Recomendo também para você que tem filhos acima de 12 anos, se possível para lerem ao mesmo tempo e verem o filme juntos.

Recomendo muito para quem está nesta idade, não sonhar, mas para descobrir que muitos dos seus medos e sonhos são comuns e que a vida tem jeito!

E para quem não gosta de ler, vale ver o filme – já está há tempos na TV a cabo.

Veja o trailer.

P.S. Um dos lados que me chamou atenção na história: a personagem Sam é uma sobrevivente e serve de exemplo para muitas meninas, inclusive as que a gente quer empoderar no projeto #cartasparaofuturo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.