As “heranças” reciclam objetos e sentimentos

heranças familiares legos e roupãozinho
Minha mãe, a vovó Ita, brincando de lego do Bob o Construtor com os netinhos em 2006. Hoje estas peças e o roupãozinho (que Enzo vestia com um aninho no inverno curitibano) são do carioquinha da família e ficam espalhados na sacada do novo apê de Niterói. 😉

Hoje minha irmã @blogdati me mandou algumas fotos do meu sobrinho C.J. e senti que revivia uma fase da vida dos meus filhos quando o vi usando um roupãozinho dos personagens do Rugrats que foi do Enzo e do Giorgio. Presente da minha mãe (e da Ti, eu acho) quando o primeiro bebê da família (Enzo) ainda estava na minha barriga, o roupãozinho atoalhado foi com ele nas suas primeiras incursões de praia e piscina, acompanhando depois o maninho em dias ensolarados e felizes.

Nas fotos C.J. também espalhava muitos brinquedos de montar que foram dos meninos. Na visita que fizemos em maio, levamos muitas “heranças” em forma de brinquedo e uma das sacolonas continha os blocos de montar que foram herança de uma vizinha de Curitiba, a Yasmim. Sete anos mais velha que o amigo (que ela dizia que podia ser seu irmão, de tanto que se gostavam) ela os deu para o Enzo quando cresceu e parou de brincar e hoje eles são estímulo ao raciocínio do priminho. Reaproveitar objetos é tão importante quando reciclar, embora poucas pessoas se lembre de fazê-lo hoje em dia.

Em Curitiba tive isso com algumas vizinhas: a gente trocava roupas, brinquedos, coisas que as crianças não usavam mais e estavam em bom estado. Nada de escambo do tipo “olho por olho, dente por dente”, era uma troca do tipo familiar, sabem? Não cabe mais do Fulano, quem sabe o Beltrano aproveita? Cricano ganhou da tia, mas não brinca, sei que o Fulano gosta muito deste tipo de brinquedo. E assim a roda generosa funcionava.

Na minha família sempre houve isso. Minha mãe e minha tia Jô sempre trocaram heranças das crianças. Minhas roupinhas, berço e coisas de bebê rolaram por muitos primos, voltavam para meus irmãos e foram guardadas para mim, tanto que algumas coisas eu recebi de volta quando casei, para usar com meus filhos. Dei roupas do Giorgio quando minha cunhada engravidou da minha afilhada e usamos botões e apliques de flores para as roupas azuis ficaram mais de menina. E o C.J. usa muitas coisas dos meninos, com muito carinho minha irmã perpetua esta tradição.

Infelizmente, nem toda família convive bem com esta relação de herança. Algumas pessoas eventualmente se ofendem, achando que estamos fazendo isso por piedade, por achar que precisam. Como na família de minha mãe isso sempre foi parte da relação amorosa – se minha tia precisa de uma mesa por uns tempos, por exemplo, ela ainda empresta e devolve depois para minha mãe, na boa, sem dramas – eu convivo com isso de forma leve e afetuosa.

E em sua família, as heranças são trocas gostosas e o reaproveitamento de objetos traz à tona boas lembranças também?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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