As filhas da China

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Minha visão de literatura chinesa atual vem de Cisnes Selvagens, livro de Jung Chang, no qual ela conta a história real de três mulheres da sua família (que tinham nomes compostos com a palavra Cisne) e foram, cada qual à sua maneira, contra o sistema no qual estavam inseridas. O livro é encantador e hoje consta da série de pocket books comercializada pela Companhia das Letras até em bancas de revistas. Parte do seu charme vem, além da cultura e da visão crítica da autora, radicada no Reino Unido há muitos anos, do fato de estas mulheres terem vivido um dos séculos mais incríveis da história da humanidade e da China em especial.

No século XX eles saíram de um regime onde os mandarins, funcionários públicos, formavam uma casta à parte e o conbumbinato era uma das formas de ascensão social para as jovens. Em seguida, como aconteceu com a mãe da autora, as mulherem viram na Revolução Chinesa (e ela descreve os fatos da Revolução Cultural e de Mao Tsé Tung com detalhes interessantíssimos) uma chance de se sobressair como indivúduos. O único pecado de Jung Chang é ao retratar abertura promovida por Deng Xiaoping, época na qual ela estava emocionalmente envolvida demais – ela brincava na casa da mãe de Deng quando criança porque moravam no mesmo condomínio e, naturalmente, não consegue separar emoção de razão ao falar deles.

Por que relembrei este livro que li e reli há mais de dez anos? Porque soube que a China estará na FLIP, representada pela jornalista Xinran e o romancista Ma Jian. Ele narra, através da ficção em Pequim em coma (2008), eventos duros como o massacre da Paz Celestial. Mas confesso que minha atenção estará voltada para o universo feminino de Xinran, autora de As boas mulheres da China, no qual reuniu depoimentos de mulheres vítimas de violência, provenientes de um programa de rádio criado por ela na década de 1980. Em seu novo livro, Testemunhas da China, Xinran traz relatos de sobreviventes da revolução cultural liderada por Mao Tse-tung, que matou em torno de um milhão de pessoas entre 1966 e 1976.

E neste ano eu pretendo estar na FLIP para ouvir tudo isso pessoalmente…

🙂

[update] Minha companheira (e roommate) para a FLIP me contou que postou sobre o mesmo tema e lá no blog dela eu vi uma chamada para o artigo de Ma Jian publicado no Guardian sobre a Praça Tiananem e as medidas que o governo chinês vem tomando desde então visando apagar da memória chinesa aquele episódio (via blog da FLIP) [/update]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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