Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana…



Brand New Day by Ryan Star
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02. Brand New Day.mp3 (6038 KB)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Ricardo Gondim, texto enviado por Myla Fonseca.

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14 respostas para “Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana…”

  1. Às vésperas do meu niver de 36 anos (nem eu acredito…) esse texto emocionou e me fez refletir. Muito bem vindo numa manhã como hoje!!!

  2. Popysp disse:

    Bonito o texto do Ricardo Gondim…
    Eu também me dei conta de que as jabuticabas estavam terminando e resolvi saboreá-las calmamente.
    um abraço, Sam!
    Cássia (popysp@)

  3. Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana… http://ow.ly/16Hj6I

  4. Me fez pensar, às vésperas do meu niver. @samegui Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana… http://ow.ly/16Hj6I

  5. Popysp disse:

    Bonito texto! @samegui Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana… http://ow.ly/16Hj6I

  6. EvandroCesar disse:

    Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana… http://bit.ly/biTKTU via @samegui ==> É assim que me sinto :D

  7. Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana… http://ff.im/-gWADj

  8. Carlos disse:

    Ricardo Gondim? Myla Fonseca? Que feio, pessoal, não o crédito ao autor do poema, o grande Mario de Andrade, aquele da Semana de Arte Moderna de 1922, matéria de vestibular…

    Sam @samegui Shiraishi Reply:

    @Carlos, sinceramente, eu não conhecia o texto, quem me enviou foi Myla. Vc pode me informar, por favor, em qual livro este texto foi publicado?

  9. Carlos disse:

    Mario de Andrade, autor de Macuníma, é grande nome da literatura brasileira. Se colocares no Google a expressão “tempo dos maduros mario de andrade” aparecerão quase 30 mil referencias. Não tenho um livro com esse texto mas é fácil obte-lo na internet. Já o vi inclusive em versão para o espanhol.

  10. Alice disse:

    Bah, mas que ridículo! PLÁGIO DESCARADO DA POESIA DO MÁRIO DE ANDRADE ” O Valioso Tempo dos Maduros”…Que feio, lamentável!!!!!!!

    Sam @samegui Shiraishi Reply:

    @Alice, plágio? Vc pode me dar informações sobre esta poesia que citou?

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