“Anônimos e Artistas” e “Mulheres dos Outros”: viagens à década de 1950 em belas imagens

“Para as pessoas que conhecem a história do design e da publicidade, a exposição será uma descoberta preciosa. Já para o público em geral, uma oportunidade de ver, ou mesmo rever, exemplares de uma publicidade menos agressiva, realizada por quase cinco décadas por talentosos artistas”
Norberto Gaudêncio Júnior

Mulheres dos outros - Eduardo Muylaert - reprodução de site

Duas exposições em Sampa me encantaram recentemente por trazerem uma visão sócio-cultural que nos permite antever e divagar sobre os conceitos que permeavam os valores familiares do meio do século XX. Em “Mulheres dos outros” (que infelizmente não está mais cartaz), o advogado Eduardo Muylaert, que em 2006 expôs na Pinacoteca do Estado fotos em preto e branco na mostra “Boa Noite, Paulicéia”, traz à tona os melhores momentos de uma caixa de cromos que comprou numa feira de antiguidades. Muylaert ampliou, tratou (mas sem perder o charme das fotos antigas guardadas) e reviveu o jeito da década de 1950 de retratar a nudez feminina.

Gostei da sua releitura que se atém a detalhes e recorta os que foge da estética que faz bem aos olhos. Como escreveu Laura Lopes, ele “mistura conceitos de pin-up, da exploração do corpo da mulher nas revistas dos anos 50, e dá às fotos, quase pornográficas à época quando foram tiradas, a beleza clássica das esculturas gregas, valorizadas pelas marcas do tempo”.

Exposição Anônimos e Artistas - Tomie Otake - reprodução de site

Se Em Mulheres dos outros o que se mostrava era o descarte e o que estava à margem da sociedade, em Anônimos e Artistas, em cartaz até 10/04 no Instituto Tomie Ohtake (Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros, São Paulo -SP), a viagem visual é pelo que era aceito pelo status quo no Brasil de JK e Getúlio. O projeto traz, em duas exposições paralelas – Atelier MirgaCaprichosamente engarrafada: rótulos de cachaça – uma miniviagem ao design gráfico brasileiro. Segundo li, Atelier Mirga, que tem curadoria de Norberto Gaudêncio Júnior, traz uma seleção de 300 obras do espaço que entre os anos de 1928 e 1970 produziu mais de 8 mil anúncios veiculados em bondes e ônibus de São Paulo.

Uma comunicação tão popular quanto a que vemos nas encantadoras cachaças, não é mesmo? Sou apaixonada pela forma comos e pensa os rótulos destas bebidas populares – cachaça, tubaína, cajuína – e meu flickr frequentemente tem fotos do tema. Na última viagem que fizemos à Paraty perdemos horas vendo os rótulos e o modelo de comunicação com o consumidor do que hoje se chama “produto da terra”.

Cachaças numa loja de Paraty - foto de Sam Shiraishi

Caprichosamente engarrafada: rótulos de cachaça apresenta 400 desses desenhos gráficos, guardados de coleções do designer e pesquisador Egeu Laus (curador do evento) e do acervo da Fundação Joaquim Nabuco, centro de estudos sociais do Nordeste brasileiro.

Eu me encantei e fiquei pensando nos papos que teria com meus avós – se estivessem vivos – sobre esta diferença na publicidade e sobre os valores que os rótulos, propagandas e até a visão mais sensual das pessoas tem entre nosso tempo e o deles. Se você tem uma pessoa com mais idade por perto, não deixe de ter este papo por mim, hein?

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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