Ano Novo Chinês na Liberdade

Enzo e Giorgio viram de camarote os festejos do Ano Novo Chinês, hoje, na Liberdade. Até que a mãe ir ao trabalho no sábado tem suas compensações!

Mas tínhamos um teatro para ver e não conseguimos sair da muvuca em tempo! Que pena!

P.S. O teatro era O Menino e o Burrinho, fomos na semana seguinte e fiz texto para o Desabafo:

O Menino e o Burrinho
Ponto positivo: a chegada do “andarilho” ao teatro e sua interação com as crianças até o início da peça

Ponto negativo: a superlotação na estréia, que fez muita gente ficar sem entradas, inclusive nós.

Local: a sala não é muito grande e as cadeiras são confortáveis, com certo “balanço” que ajudou as crianças a ficarem nos seus lugares. Vi crianças que insistiam em passear ou deitar no chão e havia espaço para elas nas escadas laterais.

Confesso que já fomos ao teatro com expectativa positiva, pois meus filhos adoram o livro “Ou Isto Ou Aquilo”, de Cecília Meireles desde bebês – poesia combina com bebês, porque é sonora. E encanta os que estão em fase de alfabetização, como Enzo e Giorgio, que já compreendem as rimas.

Chico Bolacha, um dos personagens pinçados pelo grupo CincoInCena para compor a história do menino que busca um burrinho, é um “amigo antigo” do Enzo, do qual falamos sempre que chove muito e tudo vira um charco. Ou quando perdemos alguma coisa, porque “na Chácara do Chico Bolacha, o que se procura, nada se acha”. Na peça há também a menina bailarina, que o Menino encontra numa ponte e que quase o faz desistir de sua jornada. Personagens lindos e encantadores, que envolveram e causaram muita empatia nas crianças.

O tema é tratado pelo grupo como uma seqüência de escolhas do menino, que é um menino estranho porque vive com a cara virada para uma parede sonhando com um burrinho:

“Um burrinho para passear,
um burrinho manso
que não corra nem pule
mas que saiba conversar.”

Ele resolve sair em busca do seu burrinho, navegando num rio, e neste caminho encontra situações que o fazem aprender e viver, deixando para trás caminhos antigos. Até as crianças já deixaram para trás etapas e escolhas que lhes pareciam sérias, como escolher entre a futura profissão de lixeiro e de astronauta, ver desenho animado ou ir ao parquinho, comprar sorvete ou chocolate, e sabem que tudo traz conseqüências.

O ponto alto do espetáculo é a grande participação do público, que já começa antes de entrarmos na Sala Paulo Emilio Salles Gomes no Centro Cultural São Paulo. Para Giorgio foi delicioso interagir com o Andarilho (interpretado pela atriz Íris Yasbek) que chegava com uma mala com cara de cachorro e conversava com todos, querendo entrar no teatro sem pagar! E a interação continuou, pois ele foi uma das muitas crianças que falavam espontaneamente com os atores, aquelas tiradas em alto e bom som que fazem toda platéia rir, como “mas este menino é uma mulher” (referindo-se à atriz Lívia Lisboa, que interpretava o Menino, entre outros personagens, pois ela e Íris trocavam de papéis). O legal é que a peça foi concebida assim mesmo, com eles interagindo.

As crianças também apreciaram o uso de bacias metálicas para compor o rio e, com sementes que caiam nelas, fazer parte da sonoplastia da chuva. Enzo e Giorgio imediatamente sacaram e copiaram o modelo para suas brincadeiras domésticas. Assim, música e ritmo produzido com os objetos e os adereços se somam aos jogos sonoros das palavras dos poemas de Cecília e luz e sombra dão contorno aos personagens e histórias, que em parte é contada em desenhos que transparece nas sombras. Meus pequenos desenhistas amaram e senti que outras crianças também.

Como em toda experiência cultural com crianças, acho importante o embasamento teórico antes do passeio, se for possível programá-lo com antecedência. E neste caso, vale duplamente, porque o livro no qual a peça se baseia é fantástico.

Para antes ou depois: O legal do Centro Cultural é mesmo a espera ou os momentos depois da experiência cultural (não é só teatro: tem cinema, exposições, shows e gibiteca lá) podemos passear, pois há muito espaço seguro para as crianças passearem, correrem e os lanches são ótimos.


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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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