Como assim Ano do Coelho?

“Segundo uma antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos animais. Apenas doze animais compareceram e ganharam um ano de acordo com a ordem de chegada: o Rato ou Camundongo; O Boi ou Búfalo; o Tigre; O Coelho; o Dragão; a Cobra ou Serpente; o Cavalo; a Cabra ou Carneiro; o Galo ou Galinha; o Macaco; o Cão; o Porco ou Javali. “

Ano novo chinês com dragão chinês na Liberdade

No final de semana que passou eu bem tentei (e planejei muito) ir à Liberdade ver os festejos paulistanos para a chegada do Ano Novo Chinês. Não sou de muitas superstições, mas esta influência do ano oriental é algo que carrego no coração com carinho, uma herança da Batian (minha vó japonesa), que gostava muito de pensar na vida dentro dos 12 signos orientais e os perfis humanos resultantes deles. E segundo este critério (o horóscopo nada mais é que um critério, uma forma de classicar e organizar o pensamento), 2011 é o Ano do Coelho.

[E para quem não sabe bem porque o ano muda, vale repetir: o Ano Novo Chinês, diferentemente do calendário ocidental, contabiliza os dias pelas fases da lua e elege sempre um entre 12 animais para simbolizar as características do ano.]

Segundo li – e quem não gosta de ler mensagens assim? risos – é o ano da prosperidade.  O ano que começa hoje (03/02/2011) é o de 4.709 sob o signo do Coelho –  animal que os orientais acreditam simbolizar graciosidade, paz e prosperidade. Gosto da sensação de movimento, de inspirar e expirar, contração e expansão, características que são mostradas nos animais que regem os anos chineses: 2010, Ano do Tigre, era mostrado como forte e impositivo (marcado por mudanças que exigiram várias e rápidas adaptações no mundo, tanto no aspecto cultural e social, como também no aspecto econômico) com reviravoltas profundas. Segundo a filosofia do zodíaco chinês, 2011, Ano do Coelho, seria um ano mais calmo, de harmonia, boas vibrações e alegrias, tempo para concretizar as transformações ocorridas no ano passado, com promessas de muitas realizações.

Independente de acreditarmos nestas previsões, é bom pensar que depois da tempestade vem a bonança, não é mesmo? Creio que, muito além da superstição de datas como esta, a humanidade tira proveito da ideia de se preparar para o novo ano (arrumando a casa, organizando a vida pessoal, reunindo-se com pessoas queridas) e da fé de que podemos contar com algo acima de nós. É a mesma fé que une quem professa uma religião e que também dá segurança, através das certezas científicas, aos ateus.

Por tudo isso, um Shin Nian Kuai Le / 新年快樂 – em português, Feliz Ano Novo! (Frase que aprendi num texto de Helen Liau)

P.S. Outra dica que traz o viés dos negócios para a data: saber os detalhes sobre o ano novo Chinês e o impacto dele nas negociações com a China é uma chance de se enfronhar no vasto desconhecido que envolve a cultura chinesa. Como entender a China é tão importante para o mundo dos negócios quanto foi falar “arigatô” na década de 1980, empresas e profissionais interessados em estreitar relacionamento com esta potência aproveitam este momento para estudar e se preparar para estreitar os diálogos com os chineses. Segundo consultores em cultura chinesa, preparação é fundamental no contato com o país, uma vez que sua cultura e forma de negociar não se parecem com outros modelos com que o Brasil já está acostumado como o americano ou alemão. “Para os chineses a percepção de urgência é completamente diferente da nossa; respeito à hierarquia é importantíssimo; não se pode constranger seu interlocutor em nenhuma hipótese; beijos e abraços no primeiro encontro de negócios não são bem vistos; e negociações primordiais são feitas durante jantares. Para eles, refeições e negócios estão intimamente ligados”. Detalhes que me lembram muito os negócios com “japoneses do Japão”, como escolher os lugares à mesa – pois pode ser uma falha grave colocar um importante diretor ao lado de um funcionário menos qualificado. #ficaadica 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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