Aniversário do Vô Juca

Eu não conheci meus avós, que já eram falecidos quando nasci, mas nunca consegui colocar ninguém no lugar deles. Cresci ouvindo histórias e construindo, peça a peça, uma imagem do que eles seriam como pessoas e sonhando com os avós que seriam para mim. Vô Juca, pai da minha mãe, jornalista e idealista, foi uma referência intelectual para mim. Apesar de ouvir mil histórias sobre ele, foi na biblioteca que herdamos dele que o decifrei. Críticas ao socialismo soviético em plena década de 40, finas edições da obra completa de Nietzsche e Machado de Assis, uma enciclopédia completa e imensa anterior à segunda guerra mundial, biografias de bandeirantes e narrativas de viajantes ao extremo oriente. Isto sem falar nos discos dele, incríveis, alguns em 78 rotações, misto de bossa-nova e clássicos eruditos, que minha avó fez questão de deixar para mim antes de falecer. Estão lá, na minha mãe, porque ninguém mais tem um toca-discos apropriado. (risos)
Herdei também o dicionário dele, várias vezes reencadernado e cheio de marcas de caneta. Falavam-me dele os títulos, as anotações a caneta tinteiro nos trechos que gostava, páginas não abertas de livros que deve ter descartado.
E os artigos, que como hoje são os blogs, há tempos fizeram sua voz interior falar mais alto. Infelizmente um incêndio na UEPG, ainda na minha infância, acabou com o acervo do Diário dos Campos, jornal que foi dele por décadas em Ponta Grossa. Mas na década de 1990 minha mãe foi agraciada (sim, considero graça divina isto) com um livro de colegens, um clipping feito por um funcionário do jornal e guardado por anos a fio. Ao saber que a neta estagiava com uma advogada filha do José “Juca” Hoffmann, este senhor gentilmente nos presenteou com suas colagens da época em que foi funcionário do Diário. Histórias mil para contar, não?
A jornalista Alessandra Bucholdz, que atualmente trabalha no Diário dos Campos, andou fazendo um levantamento dos pioneiros do jornal e nos ajudou a juntar os pedaços da história profissional dele. Vou ver se tem link para incluir aqui depois. No momento, deixo meu agradecimento a ela.
Hoje ele faria aniversário, 103 anos! Parabéns para ele.

P.S. É também aniversário da avó do Guilherme, única “bisa” que meus filhos conhecem, nascida há 92 anos na Andaluzia.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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