An affair to remember

Um dos clássicos mais queridos do cinema é também daqueles filmes que nos fazem sentir #vergonhaalheia dos títulos em português. An Afffair to Remeber, um dos filmes mais românticos de todos os tempos, estrelado por Cary Grant e Deborah Kerr, o famoso filme da década de 1950 que criou um mito internacional sobre o Valentine’s Day no topo do Empire State Building em Nova York, foi tristemente intitulado “Tarde demais para esquecer” aqui no Brasil.

Acredito que foi este título deprimente que nunca me animou a ver o filme de novo, apesar de seu significado para mim depois de Sleepless in Seattle (outro filme de título traduzido com muita má vontade, chamando “Sintonia de Amor” no Brasil). Em 1994 descobri a combinação simpática que a diretora Norah Ephron fazia com comédias românticas e trilhas sonoras impecáveis por conta deste filme, estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan (nos bons tempos em que ela ainda aceitava a hipótese de ser namoradinnha da América, par romântico que tentaram reviver com You’ve Got E-mail quase uma década depois.

Mas, enfim, a lembrança neste sábado era de Grant e Kerr. Lindos, retratos de uma época em que tudo parecia possível, dos maiores sonhos (ser pintor, voltar a andar depois de um acidente) até o amor romântico realmente vencendo tudo e todos, An Affair To Remember é destas obras que todos os casais apaixonados deviam ver juntos um dia. Como Casablanca, nos coloca cara a cara com as possibilidades e impossilidades do amor e, sem querer, nos faz escolher entre a razão e a emoção.

A cena final de An Affair To Remember me passa exatamente este sentimento de quem desafia a razão em nome da emoção: como eles viverão juntos? O que será da vida a dois naquelas condições? Quais dos sonhos “comuns” conseguirão realizar? Não temos as respostas, mais ao ver o letreiro dizer The End, sinceramente acreditamos que eles tinham tudo e que tudo ficaria bem. A vida deveria ser mais assim, concordam?
Hoje, pela primeira vez, vi o finalzinho do filme na companhia de Gui e dos meninos. Tocante ao extremo, a cena dos dois no apartamento dela, prestes a descobrir os motivos que a impediram de ir ao encontro no dia dos namorados, emocionou os três homens da minha vida e me fez sentir no coração que estou preparando uns carinhas bem especiais para conviver com minhas futuras noras. E, ao ver o filme com o Gui, ouvindo uma das canções que nos acompanha desde o noivado (a trilha de Sleepless in Seatle é uma das minhas favoritas da vida toda), de certa forma revivi situações.

Ontem completamos 15 anos de casamento, uma união que se baseou, felizmente, no amor que sentimos, mas igualmente no respeito ao que o outro é, no apoio irrestrito ao que decidimos (a cada tanto) que queremos ser, na vontade de construir juntos e, acima de tudo, na “falta de expectativa” da perfeição. Não esperamos a casa própria, o carro do ano, a festa dos sonhos, o quartinho de bebê de revista, o quarto com lençois de mil fios, vinho importado e música romântica, nada dos clichês para nos jogarmos na nossa união.

As histórias de amor são um “leap of faith”, um salto de fé, no escuro, sem segurança, mas com vontade de fazer dar certo todo dia, um dia após o outro, num para sempre que vive do hoje e não de ontem ou amanhã.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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