Amor cansado

“Nada mais dilacerante que uma voz amada e cansada: voz extenuada, minguada, exangue, poderíamos dizer, voz do fim do mundo, que vai abismar-se muito longe em águas frias: está a ponto de desaparecer, como o ser cansado está a ponto de morrer: o cansaço é o proprio infinito: o que não acaba de acabar. Essa voz breve, curta, quase desgraciosa por força de sua raridade, esse quase nada da voz amada e distante, torna-se em mim uma rolha monstruosa, como se o médico me enfiasse um grande chumaço de algodão na cabeça.”

Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso

(trecho encontrado no blog Acontece Aqui )

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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