Alzheimer, o tempo e o esquecimento

maria the alzheimer project grandpa do you know who i am

Um amigo nosso sempre faz uma piada quando esquece alguma coisa, falando que é culpa do Alemão: o Al Zheimer. A gente ri, mas quem convive com esta questão de saúde na família não deve achar engraçado. Tenho uma amiga cuja mãe é relativamente jovem (os pacientes geralmente estão acima de 60 anos), mas está vivenciando este processo há alguns anos. Da forma como acompanho vejo que é muito duro, não só pelos cuidados médicos exigidos (ela tem uma enfermeira que mora na casa, além de vários gastos com medicamentos, consultas e exames frequentes), mas porque o Alzheimer é um mal do esquecimento. Creio que minha amiga – e seus familiares – não sabem até quando sua mãe vivenciará momentos de lucidez e conseguirá conviver com eles ciente de quem eles são.

Tem dor maior do que achar que a mãe não te reconhece, não sabe quem é você e que parece não te amar? Este é um fardo difícil de carregar, como mostrava a personagem de Susan Sarandon no filme Anjo de Vidro (Noel, 2004) no qual ela sofre amargamente por não obter reações afetivas da mãe que é tratada num hospital especializado. Na televisão o seriado Grey’s Anatomy também mostrava a mãe de Meredith como uma cirurgiã que teve a carreira interrompida pela doença.

alzheimer

O canal a cabo HBO vai transmitir no mês de agosto a série “The Alzheimer’s Project” (Projeto Alzheimer), produzida por Sheila Nevins (Presidente da HBO Documentary Films) e Maria Shriver (autora do livro infantil sobre a doença “What’s Happening to Grandpa?”. O pai de Maria sofre de Alzheimer, o que causa empatia na narrativa e nos conselhos que dá com base nos depoimentos pessoais apresentados.

Menos comum no Brasil do que nos EUA (cerca de 5 milhões de norte-americanos sofrem desse mal), esta doença cerebral degenerativa e irreversível destrói lentamente a memória e a capacidade de raciocínio. Ainda não existe uma cura, mas já há motivos para pensar com otimismo na prevenção e em um possível tratamento no futuro próximo, como vão mostrar os quatro documentários – exibidos às terças-feiras, às 22h05, nos dias 04, 11, 18 e 25/08. Na estreia, “Momentum in Science” (Avanços na Ciência) traz uma reportagem animadora sobre os avanços das pesquisas científicas comentados por 25 grandes estudiosos do assunto. Nas semanas seguintes – em “The Memory Loss Tapes” (As Fitas Perdidas da Memória); “Grandpa, Do You Know Who I Am?” (Vô, Você Sabe Quem Eu Sou?) e “Caregivers” (Profissionais da Saúde) – o telespectador saberá o que significa lidar com o Alzheimer, ser filho ou neto de alguém que tem a doença e cuidar de quem sofre desse mal.

Se você em sua família ou círculo de amigos há pessoas com Alzheimer, vale a pena também conhecer dois espaços em redes sociais criados para tratar do tema no orkut e no facebook comunidades do Projeto Alzheimer reunem informações atualizadas sobre a doença e permitem uma troca de experiências que fortalece os cuidadores e familiares envoldidos com a doença.

artigopatrocinado

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Colaboração via Twitter para lembrar outros filmes que tratam do tema:  @djmisscloud@smiletic indicaram o mesmo filme Longe Dela (Away From Her, 2006), @cobracomasa indicou O Diário de uma paixão (The notebook, 2004). Assitirei tão logo possa! Valeu meninas. 🙂

Gentilmente Márcia indicou nos comentários outra referência no tema: o romance Para Sempre Alice, de Lisa Gênova, publicado pela Nova Fronteira.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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