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Guava, grapes and starfruit: Farmville estimulando meus filhotes a consumir frutas...

No carnaval conversei com duas amigas sobre esta questão da alimentação e da escola, uma mãe e outra professora e a conclusão a que cheguei é que, como em outros temas, a escola é o ponto central da boa alimentação infantil. Na minha infância, em escola pública do interior do Paraná, a gente fazia fila para “tomar” lanche da escola. Eu tinha uma sorte imensa porque a “tia” que fazia o lanche era uma prima da minha avó e sempre me mimava! E o que era este lanche? Pasmem!, era comida. Às dez da manhã a gente corria com os pratiinhos ou canecas de metal para tomar sopa, comer polenta (a iguaria de sexta-feira) e outros alimentos que sustentam!

O desjejum era café com leite e pão com manteiga antes da aula, eu praticamente almoçava no meio da manhã, depois chegava em casa morrendo de fome e dá-lhe um almoção cheio de verduras, arroz, feijão e carne. Comparativamente, apesar do artifício da minha avó de nos ensinar a gostar de vegetais com “tempurá” (o bolinho empanado japonês), tinha pouca fritura e a gente comia muita coisa natural. Suco era de fruta mesmo, geralmente laranjada, limonada ou algo do gênero. Refrigerante era coisa de final de semana e olhe lá.

Hoje a coisa é tão diferente com meus filhos que eu sinto um imenso pesar quando reflexiono sobre o tema. A lista de produtos vendidos na cantina da escola é nutricionalmente pobre, um misto de muito açúcar e carboidrato (e quando eles falam que estão adotando práticas saudáveis quer dizer que tiraram as frituras, mas os assados continuam cheios de queijos gordos e conservantes) e os colegas levam lanches de comercial de canal infantil. Nada contra, sabem? Adoro comer tranqueiras e acho que tem que ter um dia para tudo, mas não todo dia!

Ao ler o post da Cybele e lembrar de nossa conversa no feriado de carnaval, lembrei do quanto é difícil voltar a comer bem depois das férias. Li recentemente um artigo no qual a nutricionista com especialização em nutrição pediátrica Elaine Occhialini comentava que essa é uma tarefa que pode despertar interesse dos próprios alunos na volta às aulas. Achei boa a ideia de envolver a molecada na busca por um cardápio mais saudavel e equilibrado, que podemos alcançar sem abrir mão das gostosuras.

Concordo com a linha de pensamento que diz que mais do que controlar os alimentos, o fundamental é ensinar a importância da alimentação equilibrada e como torná-la possível no cotidiano. Ninguém precisa comer salada o tempo todo, né?  Neste caminho está o livre-docente em Nutrologia Pediátrica e conselheiro da instituição Criança e Consumo José Augusto Taddei. Ele afirma que é importante que a criança entenda o porquê de fazer escolhas saudáveis na hora da merenda para, a partir daí, começar a achar aquele lanche gostoso e interessante. Vejo aqui em casa: proibir não adianta. Dá mais resultado mostrar à criança que o lanche saudável faz a gente se sentir melhor, dá mais energia e que, de quebra, pode ser gostoso.

No video que ilustra o post os meninos falam da pirâmide alimentar, um bom começo para tratarmos da alimentação equilibrada com eles. Agradeço às professoras de ciências que são as precursoras deste tema e que, quando o tratam com carinho e entusiasmo, podem mudar a vida dos pequenos.

E neste caminho, o perfeito é contar com a escola. Há uns dois anos a professora do meu filho instituiu quinta-feira como o dia da fruta. Neste dia cada um levava alguma opção e ela cortava e repartia com o grupo, criando oportunidade de trocarem impressões e, acima de tudo, provarem coisas novas. O “repertório” do meu filho aumentou muito – e, felizmente, não recuou, ele ainda come as tais frutas que descobriu lá atrás. Recentemente, motivado pela paixão do Chico Bento pelas goiabas do Nhô Lau, ele está mordiscando a fruta, da qual só gostava do doce. E andaram provando várias frutas para ver como eram na verdade as que “plantam” no Farmville, brincadeira de fazendeiro do Facebook. Estas experiências me mostram que sempre tem como fazer a criança descobrir coisas novas sem grandes atritos. 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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