Algumas sextas-feiras da Paixão de Cristo atrás…

… a gente estava em um restaurante chinês em Saitama, no Japão, ligando para dar oi para família que possivelmente estava reunida em Curitiba para os festejos de Páscoa. Eu lembro de ter dito ao meu sogro que “era de dia comer uma onça”, uma brincadeira bem dele sobre as regras católicas que exigiam autocontrole na alimentação neste dia – a onça em questão era a unidade de medida (uma quantidade ínfima de comida) e não o felino brasileiro.

Naquele dia, embora não tenhamos falado nada para os nossos pais ao telefone, estávamos, Gui e eu, “between jobs” porque deixáramos dois empregos bons por razões morais cientes de que faltava menos de um mês para renovarmos nossos vistos de permanência no país. Detalhe: para renovar, apesar do meu direito ao visto por ser descendente (que se estendia ao Gui como meu cônjuge), contaria muito termos uma empresa contratante como avalista. Mas estávamos bem, felizes, aproveitando a primavera linda num lugar que aprendemos a amar, com uma boa poupança no banco e, acima de tudo, com o coração tranquilo.

E, como na Páscoa judaica na qual Deus veio em socorro dos seus, trazendo justiça e uma perspectiva diferente de vida para quem com justiça a merecia, em poucos dias soubemos de uma vaga de emprego que no dia da entrevista se transformou em duas e antes do visto acabar nós dois estávamos empregados e nos acomodando na região de Tóquio.

A reflexão, meio sem sentido, é sobre o que realmente precisamos na vida, um alerta para não nos agarrarmos às coisas que nos fazem mal, ferem nossa alma, nos fazem aos poucos nos sentir violados em nosso direto e crenças, tudo para manter alguma situação que nos parece imprescindível para continuar vivendo.

A vida pode ser bem mais simples se lembrarmos das verdadeiras prioridades cotidianamente, sem nos perder em minúcias e pseudo desejos que nem sabemos de onde vieram.

Vamos começar a limpar a nossa caixa de desejos hoje e deixar lá apenas as que realmente nos farão felizes?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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