Alergia ao leite ou intolerância à lactose?

20120924-072022.jpg

Li um artigo que pontuava a diferença entre alergia ao leite e intolerância à lactose e me identifiquei. Nossa afilhada teve alergia, manifestada antes de 1 mês de vida. Eu tenho intolerância, que piorou com a idade! São situações distintas e vale a pena se informar.

Os sintomas da dificuldade para digerir o leite são fáceis de observar: desconforto abdominal, vômitos e baixo ganho de peso.

Na família do meu marido há dois casos bem extremados de alergia ao leite (inclusive materno) que se manifestaram nas primeiras semanas de vida das bebês e causaram grande apreensão na família, mas foram contornados com cuidados alimentares, como a adoção de leite de soja (no caso da minha cunhada, nascida em 1969) e leite de cereais (no caso da sobrinha, de 2003).

Curiosamente as mães não são alérgicas ao leite, mas os bebês foram. No meu caso minha mãe e meu pai têm certa dificuldade para digerir leite, mas nunca desconfiaram que eu também tivesse e só adulta eu me apercebi de que minhas enxaquecas tinham este gatilho alimentar.

Como este desconforto se dá?

Para que o leite possa ser bem aproveitado, o organismo produz uma enzima chamada lactase, capaz de quebrar a lactose, que é um carboidrato presente nesse alimento. Em pedaços menores, a lactose pode ser absorvida pelo corpo. Mas se a pessoa produz pouca lactase, esse carboidrato chega intacto ao intestino, fermenta e provoca cólica, gases, diarreia entre outros sintomas.

Ainda não se sabe exatamente o que leva uma criança a desenvolver intolerância à lactose. Em algumas situações, é uma condição genética, por isso. se os pais apresentam o problema, é preciso ficar mais atento ainda. Mas, na maioria das vezes, trata-se de uma situação transitória. Com o tempo, o organismo infantil amadurece e a intolerância desaparece.

De fato, no caso da nossa sobrinha, com um ano ela já comia queijinhos e hoje até toma leite, embora não seja super fã. A alergia cedeu. Minha intolerância não reduziu, mas eu posso consumir iogurte e outros alimentos lácteos que já quebraram a lactose sem sentir desconforto.

20120924-073810.jpg

Uma corrente de pensadores defende que o organismo reduz a produção de lactase em quantidade suficiente, por conta do envelhecimento (amadurecimento?!) ou por lesões no sistema digestivo.

Mas os alérgicos sofrem mais….

“Quando há alergia, a vilã não é a lactose, mas proteínas presentes no alimento, em especial a caseína, a alfa-lacto-albumina e a beta-lactoglobulina. O corpo as enxerga como elementos estranhos e coloca em ação o sistema imunológico, que passa a atacá-las. Esse exército de defesa acaba por afetar outras regiões do corpo, como o sistema digestivo, e provoca sintomas que parecem não ter nada a ver com o leite, como a rinite e a tosse.”

No meu caso vejo outro fator que “piora” o quadro…

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Cornell em 2009 demostrou que pessoas com ancestrais que viviam em locais onde o leite era abundante e higienizado, como a Europa, apresentam uma facilidade maior para digerir o leite, assim como quem tem ancestrais com alimentação menos ligada ao leite e seus derivados apresentam maior grau de intolerância à lactose. A conclusão é que, de geração para geração, o organismo dessas pessoas foi perdendo a capacidade de produzir lactase.

Meus avos vieram do Japão por volta de 1920, muito antes que o consumo de leite se tornasse comum por lá, coisa que só aconteceu depois da década de 1960, com a chegada do café como bebida do cotidiano.

Tanto a intolerância quanto a alergia ao leite são muito comuns na primeira infância. Um estudo da Universidade de Delaware demonstrou que cerca de 7% das crianças de 0 a 2 anos têm alergia ao leite, geralmente ao de vaca e que esta é uma das alergias mais comuns na infância.

O relato pessoal e os links para os estudos ajudaram?

Espero que sejam úteis como alertas para possíveis dificuldades digestivas que, se não apercebidas, podem causar grande desconforto e até sofrimento.

😉

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook