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relatos de famosas na delegacia da mulher
Logo no início da minha carreira, eu era assessora de imprensa no Procon-PR e fui assediada por um repórter de TV enquanto ambos exercíamos nossas atividades de trabalho, na frente de nossos colegas. O câmera, homem, riu. Minhas colegas, estagiárias que atuavam comigo, se chocaram.
Terminei meu trabalho, esperei o dia comercial acabar, e fui na Delegacia da Mulher prestar queixa. Meu marido me acompanhou, neste dia como no dia da audiência que tivemos no Tribunal de Pequenas Causas algumas semanas depois.
 
O que ele fez para mim?
 
Elogiou minha bunda.
 
Pois é, parece pouco, mas foi errado. Ele representava uma emissora de TV nacional, eu representava um órgão público estadual. O reporter, um tipo daqueles engraçadinhos, levou uma advogada para defendê-lo, crente de que isso faria bonito diante da causa. Em frente ao juiz, a advogada argumentou que o réu era gaúcho e que talvez nós (paranaenses) não entendêssemos o jeito brincalhão do pessoal do Rio Grande do Sul.

Pode?

Não pode!

E tanto não pode que o juiz definiu uma ordem de restrição no âmbito profissional e aquele jornalista ficou proibido de entrar no Procon-PR – para sorte das outras funcionárias, uma ordem que perdurou até depois da minha saída de lá.
 
Quem trabalha no setor público sabe que, infelizmente, mais até do que em outras áreas, há um abuso de poder e que este tipo de assédio é, infelizmente, bastante comum. Mas quando a gente levanta a voz e conta que achou errado, que um juiz concordou, que fez bem para outras mulheres saber da nossa negativa e da nossa repulsa ao comum, muita coisa pode mudar.
 
Christine Lagarde chefe do FMI
Então, é como diz o manifesto das ex-ministras e ex-secretárias francesas no qual elas afirmam que não ficarão mais caladas sobre o assédio sexual no ambiente político. Publicado no diário Journal du Dimanche, onde se pode ler (em francês) uma entrevista elucidativa sobre o tema, o documento é assinado por 17 mulheres que ocupam ou ocuparam altos cargos no governo. Para quem já torceu o nariz e achou que é coisa de mulher recalcada ou que quer publicidade fácil, vale repensar: entre elas, está Christine Lagarde, chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-ministra das Finanças da França.
 
Ninguém pode dizer a uma mulher, independente de seu status, ou de ela ser uma funcionária, uma estudante, uma moradora de rua, uma dona de casa ou uma política:
– Além de ter seios grandes, como ela é?
– Sua saia é muito longa, precisa ser encurtada.
– Você está usando uma calcinha fio-dental?
Mulheres precisam poder trabalhar, andar nas ruas e usar o transporte público sem ser alvo de comentários ou mãos. Nós não deveríamos ter de dizer isso de novo e de novo. Não deveríamos ter que falar disso!
 
Mas se precisamos, vamos falar e repercutir!
 
Quem vem comigo?
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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