Além de amamentar, doei leite materno


Na semana passada recebemos a visita de um casal de missionários evangélicos, Pastor Ademir e sua esposa , amigos de minha mãe que vieram orar por nós, e eles esperam a chegada da primeira filha, Sofia. Na despedida eu comentei com ela algumas coisas sobre aleitamento, preparo da mama e me surpreendi porque ela não tinha sido orientada em nada pelo médico que acompanha a gestação. Como é importante tocarmos nestes assuntos, trocarmos idéias e experiências como pais e mães! Já tinha postado em 2008 na Blogagem Coletiva Semana Mundial de Amamentação 2008 e republico aqui porque o tema é importante. Bem, segue o texto do ano passado e fica aqui o convite para quem quiser conversar sobre o tema:

Sou uma entusiasta do aleitamento materno. Amamentar sempre me pareceu uma atitude natural e lembro de minha mãe no clube de campo conosco, amamentando minha irmã caçula (7 anos mais nova que eu) nas férias de verão. Era um momento lindo, que marcou para sempre minha concepão de maternidade. Para ajudar, ouvi histórias da minha Batian (avô japonesa) ter amamentado até os dois anos o filho mais novo. Mesmo meu pai, que foi privado deste vínculo com a mãe por razões políticas (ele nasceu na segunda guerra mundial e os pais, por serem japoneses, foram hostilizados, etc), teve uma babá que o deixava para mamar na própria mãe enquanto brincava. Sábia decisão da mocinha. Enfim, ao ter meus filhos, não tinha a menor dúvida de que iria amamentá-los e de que daria tudo certo.
E deu. Fiz tudo que me indicaram no curso de gestantes da Associação Médica do Paraná (banhos de sol/luz, esponja para engrossar o bico do seio, usei sutiã religiosamente) e a natureza retribuiu generosamente à minha
convicção e opção irrestrita pelo leite materno. O resultado foi excesso de leite. Enzo, que foi um perfeito bezerrinho (ele é taurino e o chamávamos assim), não conseguia dar conta do leite. Não tive dúvida: procurei o banco de leite, que tinha me contatado na visita dos agentes de saúde municipais (em Curitiba agentes de saúde visitam as novas mães em casa quando são notificados do nascimento do bebê) e me ofereci para ser doadora.
As orientações eram muito simples: retirar o leite manualmente (mas eu preferi um aparelho da Lillo), coloca-lo num vidro esterilizado (como quem dá mamadeira esteriliza, fervendo bem) e congelar. Toda semana, no dia acertado, a moça do Banco de Leite do HC de Curitiba vinha buscar meu leite congelado, não importava a quantidade que eu tinha conseguido armazenar. Nem sempre era muito, conforme Enzo crescia foi reduzindo, mas me fez um bem enorme saber que ajudava. Do ponto de vista prático, posso dizer que ser doadora é bom porque o estímulo ajuda na produção de leite e o fato de esgotar faz com que o seio fique menos pesado e enfim, a força da gravidade também deixa menos marcas. Os motivos para doar são tantos que eu poderia escrever um tratado, mas prefiro deixar o convite para lerem sobre a campanha do ano de 2006 DOE LEITE MATERNO. Foi estrelada pela humorista Heloísa Perissé e dizia: “Doe Leite Materno. O seu leite pode ajudar a salvar a vida de um recém-nascido”. Tem razão melhor para sermos doadoras?
Neste ano a campanha é especial porque conta com a presença de um pai, o que achei lindo. O casal Thiago Lacerda e Vanesas Lóes são os padrinhos da campanha, com seu filho Gael. Meu marido foi tão presente na vida dos nossos bebês que sabe tudo de aleitamento e poderia palestrar sobre o tema. Aliás, ele era o único pai no meio de 60 mães no curso de gestantes e isso fez dele o melhor companheiro para mim no pós-parto, dispensando a tradicional ajudinha que mães e sogras costumam dar.
Infelizmente, não recebi a instrução que é o mote da campanha deste ano: “Amamentação: A Primeira Hora”. Só depois que Enzo nasceu soube, através da madrinha de meu marido (militante do aleitamento materno na Unicamp) que havia uma relação entre o tempo antes da primeira mamada e a saúde do bebê. Mas ele mamou por 1 ano e 9 meses e só parou porque engravidei do Giorgio, que, por sua vez, mamou até 1 ano e 4 meses. Mesmo sendo mãe de segunda viagem e uma militante do aleitamento, fiquei com receio ao ver meu caçulinha emagrecendo quando completou um ano e cedi aos palpiteiros de plantão que me diziam para dar mamadeira com cereais para ele engordar. Resultado: tirei o leite materno e penei um ano com ele porque não aceitava leite algum e sofreu muito. Agora além de dar dicas para preparar a mama e ser doadora (como eu fui) para toda grávida com quem converso, eu ainda faço campanha contra os leites artificiais.


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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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