Agricultura urbana em apartamento?

“A agricultura urbana é realizada em pequenas áreas dentro de uma cidade, ou no seu entorno (peri-urbana), e destinada à produção de cultivos para utilização e consumo próprio ou para a venda em pequena escala, em mercados locais.”
Alexandre Dinnys Roese, Engenheiro agrônomo – Embrapa / CPAP

A foto da @elisaaraujo me inspirou a mostrar meus temperinhos da janela da @cozinhaconversa: a salvia está hibernando, mas o manjericão segue firme e forte mesmo com frio! ;-)

Compartilhei no Instagram esta foto da minha janela com temperinhos e entrei numa conversa boa ontem com @elisaraujo sobre nossos planos de ter uma hortinha em casa. No meu caso, no apartamento sem varanda, o que torna o desafio em maior! Mas, com ou sem terreno, o prazer de colher e comer algo que a gente plantou é indescritível, nem que sejam poucas folhas que usamos para temperar uma comidinha ou para fazer uma bebida.

Na semana passada, na Conferência do Ano Internacional das Florestas, pude ouvir um pouco do projeto de Theo Reis (da banda Zafenate) que faz, há alguns anos, um trabalho de agricultura urbana com populações de risco. Curioso ouvir este moço, que podia ter “uma vida mansa”, optando por colocar o pé na periferia e ensinar aos que vivem nos grandes centros, mas ao mesmo tempo longe dos confortos e maravilhas da cidade grande, como podem melhorar sua vida cotidiana.

Lançamento do Ano Internacional das Florestas (via @alinekelly)
"No debate do Ano Internacional das Florestas, eu (tuitando) ao lado dos meninos da Zafenate - crédito da foto: @alinekelly"

Uma das coisas que Theo comentou lá foi que muitas vezes, ao chegar na periferia e conversar com as pessoas, quem pratica agricultura urbana não sabe que o faz. Neta de agricultores, filha de um japonês “com o dedo verde” e com sogros que já salvaram muitos terrenos urbanos com sua compostagem (são três décadas de prática), sempre achei tão normal isso que não parara para pensar. Creio que você imagina quantos benefícios sociais esta prática pode ter: começando pela produção de alimentos e a reciclagem de lixo para quem pode ter uma composteira e usar o composto orgânico para adubação ou opta pela reutilização de embalagens para formação de mudas, ou de pneus, caixas, etc. para a formação de parcelas de cultivo, por exemplo.

Mas há também outros aspectos mais sociais, como a utilização racional de espaços, com melhor aproveitamento de espaços ociosos, evitando o acúmulo de lixo e entulhos ou o crescimento desordenado de plantas daninhas, exatamente na linha de trabalho que o pessoal da Zafenate faz na periferia daqui.

Outros fatores – explicados em detalhes neste texto – podem ser significativos para pensarmos em também aderir e, acima disso, apoiar a agricultura urbana, começando pelo conceito de educação ambiental e desenvolvimento humano. Lembrei muito deste aspecto quando soube do lançamento de “Hortas na Educação Ambiental”, livro dirigido para educadores e que pretende ser uma espécie de guia de atividades infantis com propostas baseadas no programa Hortas Escolares, ministrado pela AIPA (Associação Ituana de Proteção Ambiental).

Se você está pensando em iniciar este projeto, vale a ler a entrevista com Silvia Czapski e Maria Célia Bombana, autoras do livro, com apoio de Marcelo Mattiuci, consultor técnico do material – disponível aqui – onde se pode começar a sonhar com uma experiência educacional diferente para as crianças.

E aí, prontos para começar também sua hortinha de janela?

P.S. Obrigada @gabipitu pela dica do livro. 😉

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook