Agora podemos dizer “I believe” e não só “I have a dream”

Agora podemos dizer “I believe” e não mais “I have a dream“. É um fato, enfim. A manhã é de muitas homenagens a Barack Obama, recém-eleito Presidente dos EUA e ouvi um comentário de Mirian Leitão no Bom Dia Brasil que traduz o significado da eleição do primeiro negro naquele que é o mais importante  país branco do mundo. Ela lembrava que em meio século os EUA passaram de um país que não oferecia direitos civis igualitários aos negros para uma democracia que elegeu um presidente negro.

Obama tem 47 anos e quando ele nasceu não existia ainda o sufrágio universal nos EUA – os negros conquistaram o direito ao voto em todos os estados há apenas 44 anos – e, na época, o casamento entre um negro e uma branca era praticamente um crime. Refletindo sobre isso, além de pensar no pai do novo presidente (um médico africano que pouco o influenciou), pensei sobre a mãe, uma branca do Kansas que fazia faculdade no Havaí e casou-se com um africano (não um afro-americano, como Obama e sua esposa Michelle) e posteriormente com um asiático (parte do preconceito religioso contra Obama é também por ter vivido na Indonésia, um dos grandes países muçulmanos).

No seu discurso de vitória ontem Obama lembrou da avó materna, que faleceu poucas horas antes do início da votação e que foi a pessoa que o criou e educou. Esta mulher, que nasceu e cresceu numa América que há pouco deixara de fato a escravidão e vivia um regime de segregacionismo aberto (e oficial, regido por leis) não só foi capaz de criar uma filha que se casou com um “diferente”, como criou (bem) um neto mulato num país branco. Não sei muito do Kansas, mas não vejo o estado, historicamente, como um dos mais abertos e engajados na luta pelos direitos civis. E mesmo que fosse, quando Obama passou a morar com os avós (pelo que sei no ainda no Havaí) a luta de Martin Luther King era ainda um sonho, acalentado por muitos, mas um sonho distante.

Oprah Winfrey, Jesse James e muitos outros expoentes afro-americanos que vi na TV têm direto de festejar muito, mas todos nós temos direito de considerar o dia de hoje um “Beautiful Day”, um dia especial para a humanidade. E temos um sorriso no rosto pela esperança de uma nova era, de que, como disse hoje Arnaldo Jabor, Obama dê início ao verdadeiro século XXI.

* Dedico o post à Veridiana Serpa, com quem eu torcia por Obama há meses, e à minha querida amiga Marianna Oja, norte-americana (branca) do Colorado, filha de republicanos, que fez campanha aberta por Obama e de quem me orgulho de ser amiga há quase duas décadas.

P.S. Já escrevi sobre as eleições americanas aqui: Eleições americanas , McCain, Obama, Hillary , A Mulher é o negro do mundo , Direitos para um mundo mestiço e I have a dream.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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