Afrofuturismo, Pantera Negra e muito mais

“O afrofuturismo é uma estética cultural, filosofia da ciência, filosofia da história e filosofia da arte que combina elementos de ficção científica, ficção histórica, fantasia, arte africana e arte da diáspora africana, afrocentrismo e realismo mágico com cosmologias não-ocidentais para criticar não só os dilemas atuais dos negros, mas também para revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado. Cunhado por por Mark Dery em 1993 e explorado no final da década de 1990 através de conversas lideradas pela estudiosa Alondra Nelson.
Aborda temas e preocupações da diáspora africana através de uma lente de tecnocultura e ficção científica, abrangendo uma variedade de meios de comunicação e artistas com um interesse compartilhado em imaginar futuros negros que decorrem de experiências afrodiasporicas. Os trabalhos semi-afrofuturísticos incluem as romances de Samuel Delany e Octavia Butler; as telas de Jean-Michel Basquiat e Angelbert Metoyer, e a fotografia de Renée Cox; os mitos explicitamente extraterrestre dos músicos do coletivo Parliament-Funkadelic, Jonzun Crew, Warp 9, Deltron 3030 e Sun Ra; e os quadrinhos do super-herói Pantera Negra da Marvel Comics.”

 

Sonhar, a capacidade de imaginar o futuro, de criar expectativas. Além disso, uma forma de nos perguntar, o que queremos ser nos anos que virão? No futuro imaginário do cinema, da literatura, da música, são apresentadas idéias utópicas do que almejamos de uma sociedade futurística, muitas vezes com poucos ou nenhum negro nessa sociedade “avançada”. Então, qual é o papel do negro no futuro? Afrofuturismo, um movimento, um conceito, uma filosofia, uma nova utopia de uma sociedade mais igualitária.

No TEDxPetrópolis, Nátaly Neri, graduanda em Ciências Sociais pela UNIFESP – EFLCH, militante e focada na educação crítica com recorte étnico-racial, fala sobre o Afrofuturismo de um jeito muito interessante. Ela tem um canal no youtube chamado Afros e Afins.

Eu já tinha falado dela aqui no blog porque ela viajou com meu amigo Renê Silva para Colombia no Afrolatino Digital.

Os brasileiros se destacam no #AfroLatinoDigital da Colombia

 

E por falar no Renê… aos 24 anos (eu o conheci ainda “menor de idade”) ele foi eleito um dos 100 negros mais influentes do mundo. O reconhecimento internacional foi concedido pela organização Mipad (Most Influential People of African Descent, ou Afrodescendentes mais influentes, em português), de Nova York, EUA.

Na imagem, não por acaso, tem o ator Chadwick Boseman que interpretou o Pantera Negra e, claro, Meghan Markle. Para nós, no Brasil, que imenso valor tem um “menino daqui” fazer parte! E eu sei que ele continua lá, no Complexo do Alemão, parte da sua tribo, porque a gente fica ligado no WhatsApp cada vez que tem alguma notícia complicada por lá, querendo saber se está tudo bem.

Mas enfim, voltemos ao Afrofuturismo porque eu comecei este texto para indicar um papo bem legal sobre o assunto.

Como “A Parábola do Semeador” influenciou o movimento Afrofuturista? O que as histórias de Octavia Butler têm em comum com Pantera Negra? E o que tudo isso tem a ver com Janelle Monáe, Beyoncé e o Brasil?

Se você ficou com um nó na cabeça, vem com a gente nesse bate-papo para comemorar o mais novo lançamento da grande dama da ficção científica! Quem estará lá? Joyce Prestes (Think Olga), Ketty Valêncio (Livraria Africanidades), Patricia Anunciada (Blogueiras Negras) e Petê Rissatti (mediadora). Entrada gratuita, não é necessário fazer inscrição.

Não pode ir? Aproveite a oportunidade para saber mais.

Já leu algum livro de Octavia Butler? Essa escritora afroamericana é consagrada por seus livros de ficção científica feminista e por inserir a questão do preconceito e do racismo em suas histórias.

Octavia Butler (1947-2006) decidiu tornar-se escritora aos doze anos ao assistir o filme Devil Girl from Mars e convencendo-se de que poderia escrever uma história melhor.

Devil Girl From Mars from Posture Pal on Vimeo.

Depois de vender algumas histórias para antologias, adquiriu notoriedade a partir dos anos 1980, ganhando os prêmios Nebula e Hugo, dois dos mais importantes do gênero no mundo. Kindred (1979) é um romance que dá vontade de devorar: conta a história de uma norte-americana negra que é transportada da Los Angeles dos anos 1970 para a Maryland do início do século 19, e encontra seus ancestrais – uma mulher livre que é forçada à escravidão, e um escravagista.

Foi a publicação dos livros A Parábola do Semeador (1993) e Parable of the Talents (1998) que solidificou sua fama como escritora. Em 2005, ela foi admitida no Hall Internacional da Fama de Escritores Negros. Após sua morte, em 2006, uma bolsa de estudos que leva seu nome foi criada para incentivar estudantes negros inscritos nas oficinas de escrita onde Butler foi aluna e, mais tarde, professora.

 

E a editora que traz seus títulos e debates assim para o Brasil merece um destaque.

A Editora Morro Branco é jovem (de 2016) e surgiu com uma proposta de buscar autores em mercados menos tradicionais, como Noruega, Islândia e Jamaica, dar espaço para escritores em início de carreira e com destaque nos países de origem e dar atenção a temas e artistas relacionados à diversidade. E traz também nomes que não tinham o destaque que mereciam por aqui, como Octavia Butler.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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