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Faz pouco tempo que comentamos aqui que o ensino de história e cultura afro-brasileira ainda enfrenta desafios.

Afrobetizar a escola, que ideia linda!

Se você perguntar por aí, talvez até entre professores ainda tenha gente que não conhece a lei que instituiu o ensino de história e cultura afro-brasileira e de relações étnico-raciais. E ela não é nova: tem mais de uma década, mas a incorporação da temática étnico-racial nas escolas esbarra no racismo institucional como um obstáculo para a plena efetivação da lei.

A Lei 10639/2003, primeira a ser sancionada pela Predidência, é resultado de décadas de lutas do movimento negro e instituiu o ensino de história e cultura afro-brasileira e de relações étnico-raciais nas escolas.

“A educação sempre foi uma agenda prioritária para as organizações negras, que sempre criaram alternativas de formação. O movimento vem questionando, ao longo do século 20, o paradigma da educação”, conta Jaqueline Lima, assessora do Programa Diversidade, Raça e Participação da Ação Educativa.

  
A lei oferece subsídios para o questionamento das relações étnico-raciais na sociedade brasileira, na qual a desigualdade entre negros e brancos é um elemento estrutural e estruturante da realidade social. Esta desigualdade se manifesta nas instituições educacionais por meio de seus currículos, que têm sido eurocêntricos e omitem e/ou distorcem a História e Cultura Africana e Afro-Brasileira.


Creio que parte disso seria resolvido a médio prazo com a formação adequada do corpo docente.

Por isso faço questão de registar que a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) vai oferecer o curso de graduação Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, o primeiro a ser criado no país.

A iniciativa de criar o curso veio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab). A realização do projeto foi coordenada pelos professores Carlos Benedito Rodrigues da Silva, Kátia Regis e Marcelo Pagliosa, com apoio do reitor Natalino Salgado.

Saiba mais:
– O curso será presencial no Campus de São Luís e terá duração de quatro anos.

– O objetivo é formar educadores e educadoras para atuarem no ensino fundamental e no ensino médio e qualificar gestores para formularem políticas educacionais voltadas à temática.

– O curso abrange áreas como História, Filosofia, Sociologia, Geografia e Fundamentos da Educação. Mas não pretende mudar um foco etnocêntrico de raiz europeia por um africano, e sim possibilitar a integração da diversidade étnico-racial do Brasil na formação inicial dos(as) docentes.


Apesar de diversas iniciativas de formação continuada de professores em estudos afro-brasileiros, há uma deficiência na formação inicial, na graduação, desses profissionais. 

Kátia Regis, uma das fundadoras do curso, explica:


“Há muita resistência à inclusão desta temática nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas. Geralmente a discussão sobre a temática ocorre em uma ou outra disciplina de História da África e/ou Educação para a Diversidade. Apesar da importância da inclusão destas disciplinas na estrutura curricular, consideramos que não é o suficiente para alterar visões ainda estereotipadas sobre os africanos e sobre a população negra brasileira, bem como, de forma isolada e/ou pontual, não consegue eliminar atitudes preconceituosas e racistas presentes na universidade. Ou seja, há a necessidade de ações mais incisivas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão para que a temática adquira a relevância exigida na legislação mencionada.”

As inscrições para o concurso desse semestre já fecharam. Mas os interessados podem acompanhar no concursos.ufma.br novas chances. 😉

“Denomina-se cultura afro-brasileira o conjunto de manifestações culturais do Brasil que sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até a atualidade. A cultura da África chegou ao Brasil, em sua maior parte, trazida pela escravidão africana na época do tráfico transatlântico de escravos. No Brasil a cultura africana sofreu também a influência das culturas europeia (principalmente portuguesa) e indígena, de forma que características de origem africana na cultura brasileira encontram-se em geral mescladas a outras referências culturais.”


Se você busca referências sobre o tema, pode começar com nomes de estudiosos brasileiros que se dedicaram ao levantamento de dados sobre a cultura afro-brasileira, como o advogado Edison Carneiro, o médico legista Nina Rodrigues, o escritor Jorge Amado, o poeta e escritor mineiro Antonio Olinto, o escritor e jornalista João Ubaldo, o antropólogo e museólogo Raul Lody, entre outros, além de estrangeiros como o sociólogo francês Roger Bastide, o fotografo Pierre Verger, a pesquisadora etnóloga estadunidense Ruth Landes, o pintor argentino Carybé.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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