E tem gente que não está levando o Ebola (ou a África) a sério…

E tem gente que não está levando o Ebola a sério… mas, segundo Sanjay Gupta, da CNN, vamos ver o surto se alastrar pelo mundo todo!

São 21 dias entre a infecção e o surgimento de sintomas, como diz a entrevista, “dá para dar a volta ao mundo neste meio tempo”!

Há rumores de que já tem um tratamento e vacina, mas, por enquanto, a única certeza é:

Essa é a pior epidemia de ebola já registrada, tanto em número de casos quanto em mortes.

Começou em fevereiro, no interior da Guiné, matando 346 pessoas. Em dois meses, atingiu a capital, Conacri.Em maio, a epidemia chegou a Serra Leoa, deixando 252 mortos. Em meados de junho, o vírus se espalhou para a Libéria e matou 227 pessoas. No mês seguinte, julho, foi a vez da Nigéria anunciar o primeiro doente. Já existem casos não confirmados em Gana, Mali e na Costa do Marfim.

É novo, por isso não tem tratamento?

O vírus ebola foi descoberto apenas nos anos 70, nas florestas da África. Não entendo de vírus, mas li que, diferente da maioria, o do ebola que tem forma arredondada, é um filovírus, parece um fio de linha, e que os cientistas acreditam que o vírus viva nos morcegos da fruta, que ocupam as cavernas da região. No morcego não provoca doença, mas bastaria uma fruta meio comida por um morcego e encontrada por outro animal para dar início à epidemia. E que animal? Ora, primatas (macacos e seus primos, como os gorilas), que são muito vulneráveis – para se ter uma ideia, em apenas uma epidemia, mais de cinco mil gorilas morreram. E neste efeito dominó, os humanos contraem o vírus ao comer frutas ou caça contaminadas ou ao manipular um animal morto.

A parte realmente grave e que lembra filmes assustadores é que o vírus passa de uma pessoa para outra entrando pelas mucosas, como os olhos. Outras formas de contágio são o contato direto com sangue, secreções, órgãos e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Por isso, quando vemos médicos na reportagens de TV, eles usam tanta proteção.

Aqui no  Brasil, não há nenhum caso suspeito ou confirmado da doença. Mas a Anvisa e Ministério recomendaram mais rigor em fiscalização de aeroportos.

De acordo com o Ministério da Saúde, se um passageiro viajando para o Brasil a partir de um dos países que registram casos apresentar sintomas durante o voo, a tripulação deve contatar o aeroporto de destino, onde uma equipe de vigilância sanitária deverá avaliá-lo e determinar a conduta a ser adotada.

O problema mora aí, como disse o correspondente da CNN: são 21 dias entre a infecção e o surgimento de sintomas.

Ainda segundo o MS, não há um plano de contingência específico para o ebola. Mas, se um caso for identificado no país, o governo deve recorrer ao Plano de Resposta às Emergências em Saúde Pública, que determina as medidas a serem adotadas em situações de epidemias e desastres. No final de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Secretaria de Vigilância em Saúde fizeram recomendações aos controles de fronteiras no Brasil, apesar de não haver reforço de fiscalização em locais como portos e aeroportos.

É preciso se preocupar?

“Sabe-se muito pouco sobre a epidemiologia da doença, não se pode dar afirmativa categórica sobre se ela pode se espalhar pelo mundo ou não. Pode haver casos esporádicos de um viajante infectado viajar para outro país.”
Pedro Tauil, médico infectologista do Comitê de Doenças Emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)

Estou acompanhando vários sites internacionais sobre o tema e num deles li declarações do infectologista Bruce Hirsch, do North Shore University Hospital, nos EUA. Ele esclareceu que a fase de maior transmissibilidade do vírus ocorre quando os pacientes estão em estágio terminal, com sangramentos internos e externos e vômito e diarreia intensos. Nessa fase da doença, o paciente já está próximo da morte e provavelmente muito doente para viajar, o que reduz o risco de propagação da doença para outros continentes.

Sinceramente, considero que, como humanidade, que devemos aproveitar este momento e situação para olhar para este que me parece ser o “continente esquecido”.

Passou da hora do mundo incluir os países africanos para que as condições de vida dos seus habitantes se aproximem das que consideramos “boas e dignas” para todos nos padrões do século XXI.

Tenho esperança quando vejo movimentos como o U.S. -Africa Summit, maior encontro de líderes africanos com um presidente estadunidense me parece um passo em direção à inclusão real deste enorme e super vem posicionado continente ao mundo “moderno” e, principalmente, à economia mundial.

Sim, novamente, como nos filmes, tem aquela aura de “América salvando o mundo”, mas é um passo importante para trazer estes países para a roda.  Da Etiópia à Nigéria, passando pelos países africanos de língua oficial portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), 50 chefes de Estado ou de governo foram convidados para estar em Washington, pela primeira vez na história americana, independentemente da prática de valores democráticos e da defesa dos direitos humanos.

A partir de hoje – e após seis anos na presidência – Obama se reune com eles para um encontro que visa, entre outros aspetos, reforçar as relações econômicas com uma região que é fortemente cortejada por outro gigante mundial, a China.

Sim, tem interesses econômicos, mas se eles trouxerem desenvolvimento para a região, quem sabe se não valeu? O que não podemos é continuar lendo e vendo notícias sobre mazelas na África e continuarmos nossas vidas no segundo seguinte, sem sentimento algum, sem reagir, sem ajudar.

Parte dos debates do U.S. Africa Leaders Summit terá transmissão ao vivo no youtube da Casa Branca:


P.S. E neste sentido, vale a gente pensar como estamos fazendo nossa parte. Que tal começar com um teste dos seus conhecimentos do continente? Neste link (em inglês) tem dados dos países africanos no que diz respeito ao governo, saúde, qualidade de vida e finanças. 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.