AVC: entenda o que é e como identificar

29 de outubro é o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). A data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2006, em parceria com a Federação Mundial de Neurologia, tem como objetivo alertar a população sobre os tratamentos e prevenções da doença.

Esse assunto me toca pessoalmente porque vi na família as sequelas. Minha avó paterna sofreu um derrame grave que a deixou acamada no último ano de vida, necessitando de atendimento e acompanhando constante. Um ano depois, minha mãe, então com menos de 40 anos (!!!), teve um princípio de AVC, conhecido como ataque isquêmico transitório (AIT, “início de derrame”) que tem sintomas parecidos com o acidente vascular cerebral (AVC, “derrame”), mas tem duração curta (menos de 1 hora), com possível perda repentina da força muscular, perda de sensibilidade ou formigamento de um braço ou perna ou todo um lado do corpo. E para completar, há dois anos foi a pessoa que fazia os serviço doméstico em minha casa, funcionária que trabalhava conosco há uma década, que deve um AIT – e ela tinha menos de 50 anos, mas lutava contra hipertensão deste jovem!

Já pensou? Assustador, né?

No Brasil, atualmente, o AVC é a primeira causa de morte e incapacidade. Estima-se que no mundo ocorra um acidente a cada 5 segundos (algo em torno de 17.280 casos por dia), sendo a 2ª causa de morte e a 1ª de incapacidade no mundo. Dados do estudo prospectivo nacional em 2013 indicaram uma incidência anual de 108 casos por 100 mil habitantes.  Em 2009 a mortalidade foi de 51,8 por 100.000 habitantes.

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Segundo o neurologista Sandro Matas, nos últimos anos houve uma redução na incidência do AVC em nossa população.

“Essa diminuição ocorreu por conta da intensa mobilização nacional contra o hábito do tabagismo. Porém, em locais de condições socioeconômicas ruins houve tendência de estabilização e até aumento da incidência, pois há dificuldade da população em ter adequado controle de suas doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias, além de obesidade e sedentarismo.”

As sequelas podem ser preocupantes!

“Perto de 50% dos pacientes que sofrem AVC ficam incapacitados e dependentes de um cuidador, serviços de assistência à saúde, serviços de reabilitação fisioterapêutica, fonoaudiológica e cuidados de enfermagem”.

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Como identificar?

Devemos procurar o pronto-socorro assim que identificarmos os primeiros sintomas pode ser decisivo para o quadro.

Fique atento aos sintomas!

Segundo o Tudo sobre AVC – HIAE, os sinais e sintomas do AVC se iniciam de forma súbita e podem ser únicos ou combinados, de acordo com a lista abaixo:

    • Enfraquecimento, adormecimento ou paralisação da face, braço ou perna de um lado do corpo.
    • Alteração de visão: turvação ou perda da visão, especialmente de um olho; episódio de visão dupla; sensação de “sombra” sobre a linha da visão.
    • Dificuldade para falar ou entender o que os outros estão falando, mesmo que sejam as frases mais simples.
    • Tontura sem causa definida, desequilíbrio, falta de coordenação no andar ou queda súbita, geralmente acompanhada pelos sintomas acima descritos.
    • Dores de cabeça fortes e persistentes.
    • Dificuldade para engolir.

 

No hospital, pode-se identificar o tipo de AVC, se isquêmico ou hemorrágico, e adotar medidas de tratamento imediato.

  • AVC Isquêmico, quando uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída. Neste caso, na fase inicial, após exame de tomografia de crânio e identificação de alguns critérios de seleção, podemos utilizar de medicamentos endovenosos que podem dissolver o coágulo, reestabelecendo a circulação cerebral e minimizando as sequelas neurológicas. Algumas vezes há recuperação completa do déficit neurológico. Se mesmo assim não houver dissolução do coágulo, é possível removê-lo mecanicamente por cateterismo.
  • AVC hemorrágico, quando uma artéria que leva sangue ao cérebro se rompe e há possibilidade de oclusão do aneurisma por cateterismo (endoarterial) ou mesmo por neurocirurgia, utilizando um clipe metálico.

O tempo é fundamental para preservar a vida e reduzir as sequelas.

Estudos apontam que, quanto mais rápido a pessoa recebe o tratamento adequado, maiores são as chances dela se recuperar.

O ideal é que a busca por um atendimento médico de emergência não ultrapasse 4h30, desde o início dos sintomas.

Alguns atendimentos emergenciais, como o Pronto-Socorro do Hospital São Camilo, têm protocolos diferenciados para acelerar o atendimento emergencial, favorecer um diagnóstico assertivo e contribuir com a redução de sequelas, seguindo um protocolo de atendimento diferenciado do Grupo de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia.

Assim que o paciente chega ao pronto-socorro, um neurologista faz a avaliação clínica e realiza um exame de tomografia para verificar se há sinais de obstrução da artéria ou hemorragia cerebral. Com base nos resultados, o especialista vai indicar o melhor tratamento, que pode ser desde o suporte clínico, passando pela desobstrução da artéria, até a indicação cirúrgica. A gravidade do caso vai depender da extensão da lesão cerebral.

E como conduzir os primeiros socorros?

Como prevenir o AVC?

  • Reduzir o consumo de sal, gorduras e álcool;
  • Adotar hábitos alimentares saudáveis, como: ingestão de mais frutas, legumes e verduras;
  • Realizar atividades físicas regularmente;
  • Controlar o peso corporal;
  • Controlar a hipertensão arterial, doenças do coração e diabetes;
  • Não fumar.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.