empreendedorismo / social good / sustentabilidade

Quando morou em Manaus, entre 2011 e 2013, a bióloga e consultora de desenvolvimento sustentável Daniela de Oliveira, de 28 anos, pode conhecer o trabalho de diversos artesãos da região. A amiga e também bióloga Patrícia Moreira, 39 anos, esteve no Amazonas por conta do trabalho e encantou-se igualmente pela criatividade daqueles que encontravam beleza na natureza e nos materiais que poderiam ter ido para o lixo. Eles davam vida a pedaços de madeira que eram resíduos de indústrias madeireiras, buscavam graça nas cascas de frutos (como ouriço de castanha e coco) e sementes (açaí, jarina, paxiúba) e aproveitavam até mesmo os resíduos da criação de búfalo (ossos e chifre) da Ilha de Marajó (PA) para fazer acessórios.

De volta a São Paulo, elas perceberam que toda aquela riqueza que viram por lá não faz parte das lojas e da vida das pessoas. A ideia de reaproveitamento e sustentabilidade aliada ao valor cultural desses produtos fez com que elas criassem uma marca para revender biojoias brasileiras. Com a parceria da artista visual Carmen Garcia, 25 anos, nasceu a Joia Raiz, ou melhor, está nascendo – o lançamento oficial será no dia 14, às 18h, no Ekoa Café.

Colar de Pupunheira e Madre Pérola

Colar de Pupunheira e Madre Pérola

No site da marca, é possível encontrar colares, brincos, anéis, pulseiras, pingentes e outros acessórios, com a possibilidade de selecionar os produtos de acordo com o artesão. “São peças autorais que cinco artistas de Belém desenvolvem e a gente compra deles. Encontramos com eles no Polo Joalheiro da capital, escolhemos as mais bonitas e trouxemos para São Paulo”, explica a consultora. Daniela explica que, no caso da Joia Raiz, a sustentabilidade entra por, pelo menos, três vias. “A primeira delas é pela diminuição dos resíduos e a transformação em coisas bonitas e usáveis. A segunda é mais complexa: só é possível ter cascas e sementes se tivermos uma floresta em pé. Se for feita uma cadeia de produção e coleta sustentável, gerando renda e novas possibilidades. Isso muda a mentalidade, pois a floresta em pé passa a ter mais valor que cortá-la para criação de gado ou plantação de soja. Se essas coisas (artesanato) renderem, você consegue manter a floresta em pé. Por último, existe a valorização da produção desses artistas e do uso de materiais locais, o que na própria região é pouco valorizado devido à abundância. Eles sentirem que suas peças estão sendo valorizadas nas grandes cidades é muito bacana para gerar empoderamento ”.

Brincos de osso de búfalo

Brincos de osso de búfalo

O próximo passo é ir ao Pará e, além de buscar mais peças, fazer vídeos que vão mostrar “a carinha” dos artesãos, mostrar o trabalho deles. Para mais adiante, a ideia do trio é ampliar ainda mais as possibilidades de construir uma rede de desenvolvimento sustentável em todo o processo de confecção das biojoias. “Queremos reinvestir uma parte dos recursos que conseguirmos com a marca nas cadeias produtivas, garantindo que sejam cada vez mais sustentáveis”, revela Daniela.

www.joiaraiz.com

Lançamento oficial: 14/10, das 18h às 21h

Local: Ekoa Café – Rua Fradique Coutinho, 914

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Thaís Pinheiro


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