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(Foto: Štefan Štefančík @cikstefan no unsplash)

Nesta semana, a Fuvest divulgou o número mínimo de acertos, por carreira, necessário para o acesso à segunda fase do vestibular da USP 2018, a chamada nota de corte. A lista completa, que pode ser acessada no site fuvest.br, assusta!

No mesmo dia, uma amiga me mandou o TEDx de Sabine Righetti, organizadora do Ranking Universitário Folha, em que ela dá dicas para “errar menos ao escolher uma carreira específica na adolescência”.

Jornalista especialista em jornalismo científico, com mestrado e doutorado em política científica e tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas, onde atua como pesquisadora associada, foi repórter da Folha de S.Paulo cobrindo ciência e educação por seis anos e mantém o blog sobre educação Abecedário e organiza o Ranking Universitário Folha, uma proposta inédita de classificação do ensino superior brasileiro publicada desde 2012.

Então, tá, eu faço tudo isso que ela falou, mas como é complicado lutar contra o sistema!

Vejam meu momento pessoal:

Meu filho mais velho, que terminou o Ensino Médio na semana passada (!), não prestou vestibular para USP.

Os motivos?

Olhamos com ele os currículos de vários cursos que ele queria, ano a ano, contabilizando as horas para cada disciplina e o perfil dos professores titulares e concluímos que pode até estar entre as melhores, mas não tinha o perfil dele.

Simples assim.

Mas, quando um amigo de infância soube que ele não fez, já disse:

– Poxa, no ano que vem tem que fazer Fuvest!

Será que tem, gente? Qual o melhor caminho?

Sei de duas coisas:

17 anos não é idade para (a maioria das pessoas) decidir o resto da vida e “a culpa não é dos hormônios, é da imaturidade do cérebro adolescente”, já disse o psiquiatra Daniel Barros.

(se #aos44 eu estou fazendo um coaching para pensar o que quero fazer na próxima década, como um adolescente pode decidir isso tão cedo?)

Tem alternativas, mas a gente precisa descobrir!

Visitei algumas universidades nos últimos anos, desde que meus filhos entraram no Ensino Médio, e gostei, por exemplo, do modelo da UFABC – Universidade Federal do ABC que tem bacharelados interdisciplinares e só depois desse ciclo básico, o aluno escolhe ir para o mercado de trabalho com o diploma de bacharel em Ciência e Tecnologia, ou continua na universidade para cursar mais um ou dois anos em bacharelados ou licenciaturas específicos, além de oito diversas modalidades de engenharia. Também há a possibilidade de realizar um mestrado e de se transferir para cursos de formação superior em outras instituições nacionais e internacionais. Também estamos avaliando cursos mais amplos, como Engenharia da Inovação, da ISITEC.

E, sobretudo, eu estimulo meus filhos a viverem a vida. Neste primeiro final de semana de férias, os dois farão workshop da Amarelinha Digital, uma chance de sair da caixinha com desafio que mescla tecnologia, música e instalações artísticas, coisas que eles gostam.

Ao aprender como se faz uma cineinstalação e transformar a clássica brincadeira de rua em instrumento de montagem audiovisual, eles terão a chance de descobrir se gostam de “carreiras” experimentais como as que a equipe de Pablo Villavicencio, Fabrício Masutti, Monica Rizzolli e Rodrigo Rezende apresentam neste trabalho no SESI.

O que eu desejo? Que sejam mais do que expectadores da vida, que sejam pessoas que contribuem diretamente com o mundo ao seu redor.

Aprender a fazer vídeos singulares que serão exibidos na fachada do edifício na Av Paulista é uma pequena amostra do que quero que eles entendam que podem fazer dos seus dias de estudo e de trabalho na vida.

Mais do que pensar no próximo cursinho para garantirem vaga na melhor universidade no próximo ano, eu penso na vida deles.

Quero que sejam felizes, que se realizem e que tenham vidas com propósito.

E você, o que quer?

P.S. Vale contar isso: quem faz os bacharelados interdisciplinares da UFABC pode ingressar em uma das 21 opções de cursos de graduação conforme sua formação básica, divididos em bacharelados e licenciaturas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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