cultura web / empreendedorismo

“É bom lembrar que a ética precede a lei […] e os princípios éticos das organizações são formalizações que normalmente são públicas, dado que contemplam conceitos filosóficos e formas de entender o mundo e os relacionamentos cuja interpretação pode variar.”
Leandro Bissoli (Patricia Peck Pinheiro Advogados), na Aberj

Apesar de muita gente lembrar dos debates dos jornalistas na web em 2009 sobre o caso do diploma, há muito tema interessante sendo discutido por quem trabalha com produção de conteúdo no meio digital. Boa parte destes assuntos permeia os encontros do Comitê Digital da Aberje, que no mês passado debateu a conduta consciente na internet.

O Comitê de Comunicação Digital da Aberje teve sua primeira reunião aberta ao público desde a criação no final de 2008. Até então, vários encontros foram organizados exclusivamente com empresas-membros para produção de inteligência no tema. A atividade aconteceu sede da entidade em São Paulo/SP no dia 24 de junho de 2010, contando com representantes de mais de 40 empresas e instituições.

Na ocasião, foram tratados alguns temas bem “úteis”, como o suporte digital, que parece perder um pouco a credibilidade ou a veracidade como documento aos olhos das pessoas. Se os contratos impressos são lidos (queremos crer que são lidos e não agimos como o Shrek no Capítulo Final em Tão Tão Distante), as versões na internet não recebem a mesma atenção. A comissão cita como exemplo a adesão a serviços como e-mail gratuito, “sem qualquer leitura dos termos antes de clicar a tecla “aceitar” para início do uso, com diversos problemas decorrentes na sequencia, como perda de dados ou inacessibilidade do conteúdo”. Daí a importância da conscientização sobre capacitação de uso das mídias sociais em ambiente de trabalho pelos funcionários, ponto fundamental e uma realidade inadiável no mundo empresarial – tema que foi destacado pelo advogado Leandro Bissoli (do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados) no encontro de junho. “Há necessidade de criar códigos de ética – tanto atualizando normativas de conduta profissional geral quanto instaurando regramento específico para a comunicação digital”.

Gostei de ver o advogado usando metáforas parecidas com as que usamos, Cybele e eu, nas entrevistas sobre segurança na web para famílias, só que voltadas para o universo corporativo e a adaptação do usuário que é “1.0” (que sempre usou ferramentas analógicas) ao mundo 2.0. (que ele qualifica como o funcionário que aprendeu a manusear ferramentas tecnológicas mas só tinha acesso a elas no trabalho), o 3.0 (que domina a tecnologia e usa com ênfase inclusive em sua residência e temas pessoais). Segundo ele, o caminho agora é chegar no usuário 4.0 que busca mobilidade total e depois no 5.0, que seria aquele que faz uso correto, ético e seguro da tecnologia e orienta colegas e familiares.

[eu quero ser 5.0 e você? ;)]

A metáfora dele que me lembrou as nossas foi de

“não abrir a porta da casa para estranhos, que deveria ser estendido à abertura de e-mails de fontes desconhecidas; ou então esquecer a porta de casa aberta como postura representativa de esquecer de fazer logout de e-mails, MSN ou Orkut, além do tradicional aviso de não pegar o que não é seu, transformado agora em não copiar dados digitais alheios”

E se você pensa que só quem é amador erra, infelizmente está enganado. Muitos são os casos de embaraço ou infração efetiva ocorridas com pessoas ligadas a empresas nacionais e multinacionais, com consequências legais pelo excesso de exposição de executivos e profissionais em redes sociais, “mau uso da marca de empresas em sites e comunidades em autorização do titular”. Estes últimos delitos podem levar à detenção de três a 12 meses! É passível do mesmo temop de detenção o “envio de informações confidenciais para concorrentes”, além do abuso do direito de liberdade de expressão ou publicação de comentários ofensivos sobre empresa ou pessoa que levam à pagamento de indenização relacionada a danos morais (extensiva ao gestor da comunidade ou proprietário do blog ou portal, caso estes não tomem providências frente ao problema).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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