A vida até parece uma festa


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Na verdade, parecia uma festa. Sempre que vejo imagens e entrevistas das bandas brasileiras de 1980 eu noto um clima que era irreal, um Brasil paralelo àquele que vivia a abertura política com anistia do regime militar e Diretas Já, a recessão econômica com filas para comprar comida (lembro que minha avó ficava na fila para comprar leite e frango para nós depois do Plano Sarney) e muitas outras agruras que a geração dos nosso pais sofreu enquanto a gente cantava “não confio em ninguém com mais de 32 dentes”.

Ontem eu estava no cinema e vi o trailler do documentário Titãs – A vida até parece uma festa que Branco Mello fez da história da banda. Pelo nome que escolhi para meu blog – A Vida Como A Vida Quer é uma frase da música Comida – não há dúvida de que eu gosto dos Titãs e que suas músicas impactaram minha vida.

O documentário está em cartaz em várias salas de cinema de Sampa e traz registros desde 1986 com imagens exclusivas de bastidores em viagens, estúdios, hotéis, shows e por onde mais passassem. Branco conta que foi o estouro de vendas do disco Cabeça Dinossauro que conseguiu comprar a câmera. Embora hoje seja uma banda quase light, com músicas como É preciso saber viver, os Titãs foram na década de 1980 um dos grupos que os pais proíbiam os filhos de ouvir. E boa parte disso está no documentário (dirigido por Branco e Oscar Rodrigues Alves). 

Segundo a crítica, a dupla optou por fugir do formato tradicional de se fazer documentário, abolindo o recurso do entrevistado, sentado, falando sobre o Titãs diante das câmeras, ou um possível narrador. Os próprios integrantes contam essa história à sua maneira. Uma cronologia dos fatos é seguida, mas nada que os impeça de fazer um ziguezague na linha do tempo. Drogas, excessos, perdas e reviravoltas também fazem parte dessa aventura e Branco não deixou de contá-las. Garante que só descartou cenas pelo simples fato de não considerá-las relevantes e não por pudor em exibi-las.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.